July 20th, 2006

rosas

(no subject)

ENCONTRO

Aos quinze anos, F. fugiu de casa. Conheceu J. uma rapariga mais velha, com quem teve sexo pela primeira vez, e saiu da casa dos pais e dos irmãos para ir viver com a rapariga. J. tinha dezanove anos. O pai de F. esperou algum tempo e um dia bateu à porta da casa de J. À frente do rapaz, tirou da algibeira um maço de notas e começou a contá-las, perguntando a J. quanto é que ela queria para rejeitar F. O rapaz ficou cheio de raiva, com vontade de reagir violentamente, mas a reacção fria de J. congelou-o. O pai parou nos sessenta contos e perguntou a J. se era suficiente. J. pegou no dinheiro e voltou-se para F. mandando-o embora. O rapaz engoliu a fúria e a humilhação e desceu escada abaixo atrás do pai silencioso. Já no carro, o pai de F. tirou o resto das notas da algibeira, contou-as, mais cento e quarenta contos, e deu-as ao rapaz.

F. contou-me esta história e no fim disse-me: «Eu acredito na bondade do amor. Não porque tenha fé na bondade do amor, que não tenho. Mas por que sei.»