July 19th, 2006

rosas

lila na casa

Toda a exuberância do disco La Cantina passa para a prestação ao vivo de Lila Downs. Foi um concerto fabuloso, um dos meus preferidos, ou pelo menos dos que assisti com mais intensidade e mais divertido, apesar de o som da Casa da Música não estar muito bom (pior a princípio, a melhorar ao longo do concerto). Se os arranjos não tinham a riqueza de textura do disco, ganhavam por outro lado em virtuosidade musical, graças a Lila, é claro, mas também a um naipe de músicos excelentes. No alinhamento quase todas as canções de La Cantina (faltaram 3 ou 4, não tenho aqui o cd para confirmar), e ainda recuperações de álbuns anteriores, quer de Una Sangre quer de La Línea.
Lila em palco é de certa forma aquilo que se esperava: capacidades vocais extraordinárias, uma presença física forte, o culto da tradição sem recusar o universalismo musical (Lila não é uma artista de folclore, o faz é uma música fortemente arreigada na tradição e na cultura e na vivência de um povo), o sentido teatral que a música mexicana inegavelmente tem. Acrescente-se aquilo que nunca se sabe à partida se se vai ter, ou seja, a noção de que aquilo que está a acontecer não é só mais um concerto, mas é um acontecimento especial. E Lila faz-nos sentir isso.
A única coisa que fez falta ontem foi um público com mais apetite para a dança. A formalidade fria da Casa não ajuda, talvez o facto de Lila não ser muito popular entre nós, mas a verdade é que aquela música quer baile, e isso, apesar da reacção sempre muito excitada do público, só aconteceu mesmo no final.
Só resta acrescentar que quero ver mais vezes a Lila Downs ao vivo, e tenho muita inveja de quem ainda a pode ir ver hoje à noite na Aula Magna em Lisboa.