July 17th, 2006

rosas

cenas dum casamento

Neste fim de semana fui a um casamento. Há já algum tempo que eu não ia a casamentos (para compensar este mês ainda vou a outro) e foi uma coisa espantosa. Estava um calor monumental e por isso, depois de uma passagem pela casa da noiva para dar a prenda, fui para um café com ar condicionado ao pé da igreja beber águas.
A cerimónia religiosa correu bem, eu suei bastante porque estive sempre de casaco, foi bonito. O padre começou aquela parte da conversa a dizer que aquilo é que era uma verdadeira família, um homem e uma mulher, não essas coisas dos casamentos entre homossexuais. Está certo, só não percebi é porque é que ele trouxe o assunto para aquela ocasião. Será que ele sabia alguma coisa acerca dos noivos que nós não sabíamos? O resto da conversa decorreu normalmente e até houve duas coisas que o padre disse e que eu achei bonitas. Uma foi que o casamento é morrer de amor todos os dias. A outra é que caridade significa darmos daquilo que nos faz falta.
Depois da cerimónia fiz um by-pass às fotografias e fui para um café ao lado do restaurante onde iria decorrer a boda, e fiquei ali no ar condicionado e beber águas. A primeira coisa verdadeiramente estranha do casamento foi que o restaurante era de rodízio. O que confirmou com a ementa: primeiro uma sopa de legumes, para aconchegar, depois um bacalhau no forno, e finalmente a glória e o esplendor do rodízio à brasileira. Tudo muito apropriado para o calor tórrido que se fazia sentir. Foi a primeira vez que fui a um casamento onde se serviu rodízio! É normal? A vantagem, obviamente, é que a festa se saldou em três caipirinhas.
A outra coisa espantosa é que toda a boda teve acompanhamento de karaoke! Num dos lados da sala, central, fazendo eixo com a mesa dos noivos, havia uma daquelas mesas de karaoke, com dois animadores, e ecrãs voltados para os quatro lados da sala para o pessoal acompanhar as letras. Verdadeiramente fantástico! E o pessoal passou o tempo todo a ir lá à frente fazer um karaoke. Até os noivos, foram lá duas vezes, uma delas para cantar o hino do Sporting. Claro que foi uma delicia passar a tarde a ouvir canções do Quim Barreiros e do Emanuel, e aquelas baladas brasileiras muito românticas, normalmente cantadas por uns tipos de cabelo arranjado ou por moças de coxas carnudas. Enfim, foi mais uma estreia: nunca tinha ido a um casamento que tivesse programa de variedades!
A competir com o karaoke estava um grupo de bravos soldados da paz, que passaram praticamente o tempo todo da boda a cantar. A maior parte das vezes era aquela cena dos copos, do vai abaixo e vai acima, mas também havia canções próprias para os noivos se beijarem, para as moças solteiras irem apanhar o ramo, para o noivo se despir para leiloar as cuecas, enfim, canções para todas as ocasiões. Foi a primeira vez que eu fui a uma casamento que parecia um musical, tipo my fair lady ou assim. A cada passo, estava o cidadão distraído a comer uma banana frita, e lá vinha mais uma cançoneta festiva marcada a compasso com fortes palmadas nas mesas que faziam toda a sala tilintar quanto mais a palamenta. Claro que à medida que a tarde ia decorrendo e o pessoal estava mais bebido, o volume da cantoria aumentava (até para rivalizar com o karaoke. Sim, as duas coisas eram simultâneas), a desafinação era atordoadora, e as mesas ribombavam.