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rosas
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Concerto de Ney Matogrosso ontem, no Páteo das Escolas da Universidade. Foi a segunda vez que o NM se apresentou naquele local, ontem muitíssimo melhor organizado do que o anterior, em Julho de 03. Contando com o show no Canecão, em Abril de 2004, foram três concertos de Ney em quatro anos!
O concerto de ontem insere-se no tour de promoção do seu mais recente disco Canto em Qualquer Canto, que recupera canções antigas, como o cantor explicou na entrevista que deu recentemente à Ana Sousa Dias, na televisão. Um dos motivos de maior interesse desta mais recente proposta de Ney Matogrosso é o facto de ele ser acompanhado por quatro guitarristas: Ricardo Silveira, Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e o português Pedro Jóia, que acompanhou Ney nestes três concertos que referi. Este ensemble implicou um tratamento especial ao nível dos arranjos que deu às canções uma certa limpidez e, em alguns momentos, um ambiente próximo do flamenco.
Para além das suas qualidades de cantor e intérprete, uma das coisas admiráveis em NM é o seu completo domínio do show, dos seus mecanismos, da sua essência. Todos aqueles gestos, as danças, são feitas com tanta intenção, tanto propósito, que nem por um momento resvalam para o caricato. Além disso, e apesar de usar da palavra muito poucas vezes durante o concerto, NM está sempre em comunicação com o público, está-se sempre a apresentar para o público, quase como aqueles actores de cinema de quem se diz que representam e namoram a câmara. Ney está sempre a namorar a sua audiência, está sempre a cantar para o lugar do público.
No concerto de ontem Ney retomou, como referi, alguns temas antigos, nomeadamente dos Secos & Molhados, sendo o mais famoso deles a Rosa de Hiroshima. Mas o fim do concerto foi muito adequadamente com uma outra canção do primeiro álbum dos S&M, FALA. Lembro-me de que já falei dessa canção aqui no livejournal, até porque contém uma das minhas citações preferidas e que, basicamente, aconselha a estar calado quando não se tem nada a dizer.

Eu não sei
dizer nada por dizer
Então eu
escuto
Se você disser
tudo o que quiser
Então
eu escuto
Fala
Fala
Se eu não
entender, não vou responder
Então eu escuto
Eu só vou falar na hora de falar
Então eu escuto
Fala




Ontem foi o derradeiro episódio de Six Feet Under, escrito e realizado, como não poderia deixar de ser, pelo man himself, o Alan Ball. Não há muito mais a acrescentar ao que já tem sido escrito sobre a série, mas a forma como o episódio final se organiza, como se atam as pontas ao mesmo tempo que se abrem hipóteses de resolução, mostra mais uma vez o brilhantismo dos seus criadores. Sim, porque por mais que nos apaixonemos pelas personagens e pelas situações, por mais que as levemos a sério e as aceitemos como pessoas reais, o que fica de Six Feet Under é o prazer. O prazer de ver as coisas desenrolarem-se, o prazer de perceber a forma como a teia se vai desenvolvendo, o prazer da irrepreensível escrita dos diálogos, o prazer dos pormenores de composição das personagens (há uma regra de ouro que diz que o segredo da verosimilhança está no modo como os detalhes se revelam e acumulam), o prazer da subtileza, do humor, da ironia, da ternura.
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