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rosas
innersmile
Vi ontem em dvd o filme La Marche de L’Empereur, A Marcha dos Pinguins, de Luc Jacquet, que conta a história dos pinguins imperador que, no fim do Verão, atravessam os bancos gelados da Antárctica para se reunirem aos milhares sempre no mesmo local, para acasalarem e terem crias. O filme utiliza um suporte narrativo tão clássico quanto possível para contar uma história de sobrevivência e preservação da espécie, tratando os pinguins quase como se fossem actores de um dispositivo de ficção. No entanto, se isso ajuda a criar um certo ambiente emocional, na minha opinião o maior triunfo do filme é sobretudo a forma não científica como os animais são filmados, procurando descolar aquilo que é fundamentalmente um documentário do estilo national geographic. Os pinguins não se humanizam, mas o filme consegue tratá-los de uma forma tão não-utilitária (do ponto de vista humano, claro), quase como se houvesse capacidade de auto-determinação, de livre-arbítrio, de projecto, que nos faz ganhar um súbito respeito por essa espécie de animais tão longínquos, para o seu próprio bem, da esfera de influência do homem.
Na minha opinião é esse o maior mérito do filme: conseguir passar a ideia de que o homem não é necessariamente o rei da selva, de que há animais que são capazes de dominar o eco-sistema onde habitam e de que dependem, como se a presença do homem no planeta fosse absolutamente desnecessária.
Ainda por cima é tudo feito de uma forma muito bela, tanto na forma de filmar os animais como as paisagens. Um filme bonito, fora de vulgar, e que nos põe questões com que raramente nos confrontamos.

Já que estava com a mão na massa, revi The Life Aquatic, do Capitão Steve Zissou. Uma das coisas espantosas deste filme é como Wes Anderson quase filmando no limite da caricatura, consegue ser sempre tão delicado e subtil. Esta subtileza é fascinante no desempenho do Bill Murray, que consegue transmitir e passar sempre mais coisas do que aquelas que o personagem está a dizer. Kudos para a Angélica Houston que está poderosésima.
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