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vamos jogar
rosas
innersmile
Claro que estou triste com a derrota da selecção de Portugal, ontem nas meias-finais. Triste, mas nada decepcionado ou frustrado. Acho que a selecção cumpriu aquele que devia ser sempre o seu primeiro objectivo: fazer boa figura, ganhar jogos, e proporcionar-nos a todos entusiasmo e diversão. No jogo de ontem podiam ter jogado mais? Sim, claro, mas jogaram bem, não foi uma vitória fácil, o adversário era muito bom, e neste tipo de campeonatos é assim que as coisas funcionam.
Foi a primeira vez que uma presença de Portugal num campeonato do mundo não só não me deixou embaraçado, como me transmitiu a sensação de que no futebol estamos ao nível dos outros. Nem sequer é preciso estarmos ao nível dos melhores (e estivemos), basta estarmos ao nível dos outros e termos à partida tantas oportunidades como eles de vencer. E isso aconteceu neste mundial, como nunca tinha acontecido em nenhum dos outros campeonatos anteriores que eu segui.
Como de resto já tinha acontecido no Europeu de 2004 em que estivemos na final. Como escrevi aqui no livejournal nessa altura, o meu respeito vai inteirinho para o treinador Luís Filipe Scolari. Claro que houve jogadores que estiveram ao nível do seu melhor: o Figo (infelizmente ontem não foi um desses dias), o Deco (idem idem aspas aspas), o menino Cristiano (é o jogador mais brasileiro da nossa selecção, no sentido em que transmite sempre a sensação de que tem o futebol nos pés, é espontâneo e apaixonado), o Miguel (que foi o meu jogador preferido da selecção, dava-me gozo vê-lo jogar, sempre muito concentrado e eficiente), o Ricardo Carvalho (que transmite segurança e tranquilidade até a mim, que estou a vê-lo pela televisão; infelizmente, ontem também não esteve nos seus melhores dias). Mas, para mim, o Scolari é o tipo que faz a diferença entre esta selecção que joga como uma equipa, motivada para vencer, e aquele bando doentio de prima-donas que foi ao mundial da Coreia e do Japão.
Não podemos, e sobretudo não devemos, pedir a uma selecção de futebol que se bata em nome do patriotismo, da alma lusitana (seja lá isso o que for). Não podemos esperar de uma selecção de futebol que sublima as nossas dolências e os nossos atavios. A única coisa que podemos exigir de uma selecção de futebol é que jogue futebol e que ganhe jogos; não que ganhe os jogos todos, mas que ganhe jogos. E isso esta selecção fez. Por mim chega. Ou melhor, não, não chega. É preciso que de agora em diante não haja retrocessos. Habituámo-nos a ver os jogadores que usam as cores da nossa bandeira a jogarem à bola e a disputarem jogos e títulos. É isso que esperamos que eles continuem a fazer.