June 28th, 2006

rosas

(no subject)

ao V.P., em memória


repara nesses traços,
a giz, no chão
e como cada traço é
um dia, um gesto,
o que perdura de um sorriso

repara como depois a água
devolve brilho polido
à rugosa superfície das coisas

repara, por fim, como pareces
ficar parado, suspenso, no
precipício de um cruzamento
ou como, por erro de paralaxe,
sou eu que fico eternamente preso
à esquina, enquanto tu, leve como
um sorriso, a barba em novelo,
te afastas rua fora, ao
encontro do teu destino