June 23rd, 2006

rosas

miracle and wonder

Como escrevi aqui, comprei o mais recente disco do Paul Simon no dia em que tinha decidido trazer para o carro o Graceland. Que tenho estado a ouvir, contente por ainda saber de cor as letras. Que disco assombroso. Apesar de editado há precisamente 20 anos, e de ter sido ouvido até à exaustão, ainda soa fresco e cheio de energia.
É inútil reforçar a importância deste disco e o impacto que teve. Por exemplo, ao trazer para o palco central da música popular os sons daquilo que hoje se chama a world music. Entre muitas outras coisas, o disco de Simon trouxe para a ribalta um dos meus grupos preferidos, os Ladysmith Black Mambazo, que são extraordinários, e que conheceram relativo sucesso muito graças ao impacto de Graceland.
Uma das coisas mais interessantes na música de Paul Simon, e que ele tem feito repetidamente, e que tornou a fazer agora em Surprise, é misturar as suas letras muito cerebrais, muito nova-iorquinas, muito analíticas e subtis, com universos musicais radicalmente diferentes, sejam os sons ambientais de Brian Eno, ou, como em Graceland, a música incendiária das jivetowns sul-africanas, a percussão do Brasil em Rythm of the Saints, ou o universo latino em Capeman, o seu musical fracassado.
Já não ouvia Graceland há muito tempo, digo ouvir com atenção concentrada, escutando a música e as letras. E fiquei até arrepiado com a canção The Boy in the Bubble, que foi uma das mais populares quando o disco saiu, juntamente com You Can Call Me All e Graceland. Prestem, por favor, atenção à letra. Como há 20 anos Paul Simon anunciava com um rigor milimétrico, e dir-se-ia quase profético, o mundo em que vivemos actualmente. Ou então é uma daquelas obras tão clássicas que qualquer geração se consegue rever nelas.

It was a slow day
And the sun was beating
On the soldiers by the side of the road
There was a bright light
A shattering of shop windows
The bomb in the baby carriage
Was wired to the radio
These are the days of miracle and wonder
This is the long distance call
The way the camera follows us in slow motion
The way we look to us all
The way we look to a distant constellation
That's dying in a corner of the sky
These are the days of miracle and wonder
And don't cry baby, don't cry
Don't cry

It was a dry wind
And it swept across the desert
And it curled into the circle of birth
And the dead sand
Falling on the children
The mothers and the fathers
And the automatic earth
These are the days of miracle and wonder
This is the long distance call
The way the camera follows us in slow motion
The way we look to us all o-yeah
The way we look to a distant constellation
That's dying in a corner of the sky
These are the days of miracle and wonder
And don't cry baby, don't cry
Don't cry

It's a turn-around jump shot
It's everybody jump start
It's every generation throws a hero up the pop charts
Medicine is magical and magical is art, think of
The Boy in the Bubble
And the baby with the baboon heart

And I believe
These are the days of lasers in the jungle
Lasers in the jungle somewhere
Staccato signals of constant information
A loose affiliation of millionaires
And billionaires and baby
These are the days of miracle and wonder
This is the long distance call
The way the camera follows us in slo-mo
The way we look to us all o-yeah
The way we look to a distant constellation
That's dying in a corner of the sky
These are the days of miracle and wonder
And don't cry baby, don't cry
Don't cry