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wassup rockers
rosas
innersmile
Começo por admitir um certo desconforto em relação aos filmes anteriores do Larry Clark, sobretudo Ken Park. Não consegui divisar o que é que nos filmes era projecto artístico e o que é que era pura compulsão voyeuristica. Ou, pior um pouco, o que é que era mera procura de escândalo para épater le bourgeois.
E as dúvidas não ficam de todo resolvidas com Wassup Rockers, o seu mais recente filme sobre um grupo de skaters adolescentes latinos em Los Angeles, que tentam sobreviver no gueto de South Central apesar dos seus gostos por roupa justa e por música punk, e de como decidiram fazer uma extraordinária viagem ao outro lado do capitalismo em Beverly Hills.
O filme tem um certo tom de farsa, sobretudo na segunda parte, e, relativamente aos anteriores filmes de Clark, tem uma narrativa mais linear e convencional. Outras marcas distintas: os seus protagonistas são claramente good guys, e não aqueles espectros um pouco assustadores sempre à beira da explosão que apareciam nos filmes anteriores; e a carga documentaria é mais ligeira, e o filme não é tão predador na procura de uma certa beleza da fúria adolescente. Não obstante, situamo-nos ainda dentro do campo do cinema verité, a começar pelos protagonistas que não são actores mas antes vestem os seus próprios personagens, e o facto de o filme incorporar com tratamento narrativo episódios das suas vidas reais.
No entanto, este aumento da dose ficcional não traz necessariamente boas notícias. Na maior parte do tempo, o desenvolvimento da história é um pouco primário, as restantes personagens, com quem os protagonistas se vão cruzando, nunca ultrapassam o arquétipo ou mesmo a caricatura, e o tom geral de bons contra maus revela superficialidade se não mesmo preconceito.
O que salva o filme é mesmo o grupo de 7 skaters latinos, que mantêm uma candura e uma verdade tão grandes, que contaminam todo o filme e o tornam uma experiência muito intensa e comovente. Há uma sequência sublime, em que Kico (o meu personagem preferido, desempenhado por Francisco Pedrasa) conversa com Nikki, uma das miúdas ricas de Beverly Hills, os dois semi-nús sentados na cama. Supostamente é um diálogo que antecipa uma cena de sexo, mas de súbito aquela conversa entre duas pessoas de galáxias diferentes, que se descobrem e se seduzem, torna-se tão espontânea e tão profundamente simples, que o filme quase que se suspende, tudo à volta fica uma espécie de névoa e a única coisa que importa é esse momento de mútua dádiva – duas pessoas que vivem dominadas por um sentido de ameaça exterior e de auto-preservação por se encontrarem em dois pontos extremos da cadeia de luta pela sobrevivência da espécie, oferecem inesperadamente uma à outra aquilo que verdadeiramente são.
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