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salvem o lince
rosas
innersmile
O cinema Avenida está a morrer. Há já algum tempo, um ano talvez, a sala do 7º piso encerrou. Fizeram-se obras de beneficiação no cine-teatro e tem estado a funcionar com as duas salas do rés-do-chão. O Avenida optou por passar cinema alternativo, quer nas origens, passando filmes de geografias mais dispersas, quer nas propostas artísticas, com filmes a fugir à mera lógica de indústria. Pareceu-me, na altura, a melhor estratégia para aguentar a concorrência das salas multiplex dos centros comerciais que entretanto abriram em Coimbra. Além de que afiei o dente, pela possibilidade de finalmente podermos contar com a programação regular na cidade de filmes diversos e interessantes.
Acontece que, desde então, as duas salas do Avenida têm estado praticamente vazias. Nas sessões a que vou, normalmente ao Sábado à noite, quando há meia dúzia, literalmente, de espectadores, é uma festa, parece que a casa está composta! No Sábado passado, éramos 5-cinco-5. Numa cidade em que a população de estudantes universitários é de várias dezenas de milhar, esta deserção é estranha e, sobretudo, inquietante.
Os jornais locais têm anunciado os processos de falência que já estão a decorrer ou que se preparam. Os funcionários do cinema esperam a qualquer momento a ordem de encerramento. E desta vez não podemos deitar as culpas aos outros, foi a cidade e a sua população que provaram não haver lugar em Coimbra para um cinema alternativo e de qualidade. Brevemente, e depois de um ano e pico de bodo aos pobres, novamente estaremos condenados a optar entre a oferta multiplex, ou seja entre filmes cujos títulos são sempre variantes de A Boazona das Curvas, Solteiros e Chanfrados, Perigo Eminente, ou A Maldição Diabólica.
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