June 7th, 2006

rosas

(no subject)

Para a Menina, que faz hoje anos, só valem canções do Cole Porter:

At words poetic, I'm so pathetic
That I always have found it best,
Instead of getting 'em off my chest,
To let 'em rest unexpressed,
I hate parading my serenading
As I'll probably miss a bar,
But if this ditty is not so pretty
At least it'll tell you
How great you are.

You're the top!
You're the Coliseum.
You're the top!
You're the Louvre Museum.
You're a melody from a symphony by Strauss
You're a Bendel bonnet,
A Shakespeare's sonnet,
You're Mickey Mouse.
You're the Nile,
You're the Tower of Pisa,
You're the smile on the Mona Lisa
I'm a worthless check, a total wreck, a flop,
But if, baby, I'm the bottom you're the top!

Your words poetic are not pathetic.
On the other hand, babe, you shine,
And I can feel after every line
A thrill divine
Down my spine.
Now gifted humans like Vincent Youmans
Might think that your song is bad,
But I got a notion
I'll second the motion
And this is what I'm going to add;

You're the top!
You're Mahatma Gandhi.
You're the top!
You're Napoleon Brandy.
You're the purple light
Of a summer night in Spain,
You're the National Gallery
You're Garbo's salary,
You're cellophane.
You're sublime,
You're turkey dinner,
You're the time, the time of a Derby winner
I'm a toy balloon that’s fated soon to pop
But if, baby, I'm the bottom,
You're the top!

You're the top!
You're an arrow collar
You're the top!
You're a Coolidge dollar,
You're the nimble tread
Of the feet of Fred Astaire,
You're an O'Neill drama,
You're Whistler's mama!
You're camembert.

You're a rose,
You're Inferno's Dante,
You're the nose
On the great Durante.
I'm just in a way,
As the French would say, "de trop".
But if, baby, I'm the bottom,
You're the top!

You're the top!
You're a dance in Bali.
You're the top!
You're a hot tamale.
You're an angel, you,
Simply too, too, too diveen,
You're a Boticcelli,
You're Keats,
You're Shelly!
You're Ovaltine!

You're a boom,
You're the dam at Boulder,
You're the moon,
Over Mae West's shoulder,
I'm the nominee of the G.O.P.
Or GOP!
But if, baby, I'm the bottom,
You're the top!

You're the top!
You're a Waldorf salad.
You're the top!
You're a Berlin ballad.
You're the boats that glide
On the sleepy Zuider Zee,
You're an old Dutch master,
You're Lady Astor,
You're broccoli!
You're romance,
You're the steppes of Russia,
You're the pants, on a Roxy usher,
I'm a broken doll, a fol-de-rol, a blop,
But if, baby, I'm the bottom,
You're the top!
rosas

ouro negro

Morreu um dia destes o Raul Indipwo, do Duo Ouro Negro, que foi um dos nomes mais populares da música ligeira que se fez em Portugal nos anos 60 e 70. Descontando as ocasionais passagens na televisão, há mais de 30 anos que não ouço música deles. O DON fazia aquilo que se chamava nacional-cançonetismo, e que foi o nome que se deu, depois de 74, à música ligeira que era considerada o standard da música popular, lavadinha e bem-comportada, pelos padrões do regime autoritário anterior ao 25 de Abril. Mas o facto de eu não ouvir as canções do DON não impede que eu tenha em casa uma colecção de singles dele, que guardo desde a infância, e que sobreviveram, nomeadamente, à descolonização e à minha vinda para Portugal e, talvez ainda mais tremendo e radical, ao meu processo de formação de gosto musical aí pelos idos de finais de 70e princípios de 80.
E se é verdade que não ouço as canções do DON há mais de 30 anos, o facto é que não preciso, pois essas canções estão quase todas, intactas, na minha memória, na hard drive que trazemos desde a infância e que, como se sabe, é a drive das nossas coisas mais essenciais. Por isso, qualquer encontro ‘televisivo’ com o DON, e, depois da morte do Milo, com o Raul, era sempre um encontro com a minha infância. De cada vez que ele aparecia na televisão, a cantar, ou a falar de pintura, ou de alguma das campanhas humanitárias a que se associou, eu nunca podia dizer “olha-me aquele piroso”, porque isso seria desqualificar coisas muito importantes da minha memória. Ficava sempre a ouvi-lo, com o misto de embaraço e condescendência que devotamos àquelas nossas fotografias antigas, que não gostamos de mostrar aos outros mas que não conseguimos evitar em desfiar com prazer nos dias chuvosos e melancólicos do Outono.
No Domingo, quando vinha de carro pela auto-estrada e ouvi anunciarem na rádio a sua morte, não posso dizer que tenha ficado desgostoso ou chocado, mas fiquei triste. Um pouco mais vazio. Talvez por saber que tinha desaparecido uma pessoa que, de algum modo, era depositária de parte da minha infância, das minhas lembranças. Dessa coisa nebulosa e até um pouco fantasista que sou eu, miúdo, magricelas, no chão da minha casa em Nampula, a ouvir os singles do Duo Ouro Negro no gira-discos Pioneer que ainda existe em casa dos meus pais…
Ouve lá, ó Raul, boa viagem e toma aí bem conta da minha encomenda.