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Assistir a um recital de Alfred Brendel é um privilégio extraordinário. Brendel é uma lenda viva, e há-de chegar uma altura em que vamos poder contar orgulhosos aos nossos descendentes que assistimos a um recital de Alfred Brendel, que estávamos lá nessa noite especial de 2 de Junho de 2006, quando Brendel tocou na Casa da Música.
O programa incluiu 2 sonatas maravilhosas de Joseph Haydn, uma sonata de Schubert, que para mim foi o momento alto da noite, melhor dizendo o mais alto de tanta altura, e duas peças de Mozart. O que mais me surpreendeu na prestação de Brendel foi a naturalidade do seu piano, uma coisa quase espontânea, de onde se apagam todos os traços de estudo ou esforço, como se a música não existisse antes de ser ali convocada. Claro que este tipo de clareza, de falta de artifício, só se consegue depois de já ter dado a volta completa, depois de se conhecer a fundo os compositores e a sua obra.
O tipo é um velhinho de ar simples e sem peneiras ou poses, que entra no palco, senta-se ao piano, e com o abandono de uma dactilógrafa daquelas de antigamente, começa a debitar notas e frases e temas e pedaços de céu. Depois pára sem gestos teatrais, volta-se a agradece os aplausos, com um sorriso nos lábios, não propriamente humilde, mas em todo o caso um sorriso de desarmante simplicidade. Como se aquilo que se acabou de passar não tivesse nada de especial, não tivesse o toque profundo de génio que de facto tem.
Eu já era fã do Alfred Brendel, de quem tenho alguns cds, e alguns dos meus cds preferidos. Mas agora fiquei verdadeiramente devoto. E, como disse, brilhante de vaidade e alegria por ter tido o privilégio de assistir a um recital do Mestre.


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