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a linha da beleza
rosas
innersmile

A RTP2 começou ontem a transmitir a mini-série da BBC, The Line of Beauty, adaptado do romance premiado de Allan Hollinghurst, de que já falei aqui no innersmile. A primeira nota é para a rapidez com  que a RTP passa a série, uma vez que ontem mesmo a BBC2 transmitiu o terceiro e último episódio.
Gostei muito do episódio de ontem. Claro que o livro de Hollinghurst tem a complexidade e a densidade próprias da literatura, e que tornam o livro muito apaixonante, uma aventura em que o gozo da língua e da escrita é, logo à partida, metade do prazer do livro. E isto não obstante o livro ser muito cinematográfico, pedir o tratamento da imagem, parecendo particularmente indicado para este formato da série televisiva. Só assim se explica a rapidez com que esta transposição aparece.
A adaptação tem argumento de Andrew Davies, veteraníssimo argumentista, sobretudo de televisão, mas também de cinema, e realça, mais do que no livro, acho eu, aquela elegância ao mesmo tempo simpática e exclusivista das classes poderosas inglesas. Os ingleses, como sabemos, sobretudo a BBC, são eméritos em criar ambientes de época (a série decorre durante os anos 80), e em fazê-lo de um modo subtil, refinado e extremamente eficaz. Além disso toda a acção é percorrida pelo mesmo tipo de ironia, de humor amargo mas simpático, que era uma das marcas do romance de Hollinghurst.
Destaque ainda para as interpretações, sobretudo do protagonista, Dan Stevens, por cujo olhar perpassa a essência desta história, seja quando ele se deslumbra com o requinte dos seus amigos ricos, seja quando é devorado pelo desejo e pela concupiscência. Outro retrato brilhante é o de Gerald Fedden, a cargo do actor Tim McInnerny, o membro do parlamento Tory que, apesar de ser um político tão desprezível como os piores, nunca deixa de ser caloroso, simpático e bem-humorado.   
Eu sei que ainda só passou o primeiro episódio, mas de qualquer forma não acho exagerado afirmar que estamos perante uma das melhores séries inglesas dos últimos anos, a alinhar, em qualidade e brilhantismo, com Brideshead Revisited que é, na minha opinião, o paradigma da qualidade televisiva de ficção inglesa.

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reina y señora
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innersmile

A Espanha é grande e ela era La Mas Grande de Espanha. Os espanhóis hoje choram a morte de Rocio Jurado, que, mais do que a sua cantora nacional, era um ícone. Da cultura e da raça.
Claro que nós tínhamos a Amália. Mas a verdade é que sempre amámos mais a voz do que a mulher. Os espanhóis, não. Amam a mulher. E sempre da forma excessiva como vivem.
Tenho estado a acompanhar a emissão da TVE Internacional. Fez-me impressão a televisão transmitir as imagens da câmara ardente, em Madrid, a família a receber os pêsames, a emoção. A princípio achei que era morbidez, mas percebi que afinal é amor, é chorar com quem chora.   
Agora mesmo que o féretro chega ao Santuário Virgen de Regla, em Chipiona, o povo que apinha as ruas dedica-lhe, e aos seus familiares, ovação atrás de ovação. Em ritmo de flamenco. Caraças, aqueles tipos sabem chorar os seus mortos.