May 24th, 2006

rosas

(no subject)

Há muito tempo que uma entrada no innersmile não tinha tantos comentários como teve a do filme The Da Vinci Code. Aliás, há muito tempo que os cinemas em Coimbra não esgotavam, como está a acontecer com o filme de Ron Howard.
É inegável o hype. Há uns tipos num escritório algures nos States a fazerem reuniões sobre a melhor maneira de nos apanhar a todos neste hype. Note-se que é uma coisa que eles fazem com certa frequência, mas nem sempre acertam no bingo! Como desta vez.
O que eu quero dizer é que não faz muito sentido ser-se a favor ou contra um livro ou um filme. E por outro lado dizer mal, ou mesmo afirmar recusas, não é passar ao lado do hype, é só estar a participar nele, de uma das maneiras que esses tais senhores no escritório também previram lá no gráfico deles.
Eu li o livro porque tinha curiosidade em conhecer um livro tão badalado, e vi o filme porque… bem, porque vejo muitos filmes e não conseguia passar sem ir ver este. O livro de Brown é uma obra de ficção, é uma obra de literatura, não da literatura do cânone, mas daquela literatura mais light, de entretenimento. O filme é mais um dos muitos produtos de afirmação de uma indústria de entretenimento. A única coisa vagamente perturbadora neste segundo tsunami Da Vinci é, eventualmente, pensar o que é que tanto hype à volta de uma obra que tenta, de forma astuciosa, explorar os mitos e as crendices que definem a nossa cultura e a nossa civilização, o que é que esse hype diz acerca nós, e deste momento particular da nossa história e da nossa cultura. Mas isso, receio bem, só poderá ser avaliado com alguma valia, daqui a umas décadas ou uns séculos. Ou não, claro…