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zimler
rosas
innersmile
Entrevista muito interessante na Pública de ontem, Domingo, com o escritor Richard Zimler. Zimler é um judeu americano, radicado em Portugal (no Porto, se não estou em erro), que alcançou bastante sucesso internacional com o seu primeiro romance, O Último Cabalista de Lisboa. Todas as obras de Zimler, tanto quanto sei uma vez que ainda não li nenhum livro dele, reflectem a sua condição de judeu, nomeadamente o mais recente, À Procura de Sana, que foca o diferendo israelo-palestino num cenário de terrorismo pós 11 de Setembro.
Como não poderia deixar de ser, uma parte significativa da entrevista tem a ver com o judaísmo, com Israel e com a insolúvel situação de conflito entre judeus e palestinianos. E o que é interessante em Zimler é que, nunca abdicando da sua condição de judeu e da particular perspectiva que isso lhe dá, consegue essa coisa prodigiosa de ter um olhar lúcido e descomprometido sobre a situação no Médio Oriente. É impossível olhar com total descomprometimento, com um olhar impoluto, puro, para esse conflito sangrento. Mas é possível tentarmos ver para além das convicções pessoais, culturais, religiosas ou meramente políticas.
Destaco alguns excertos da entrevista, não deixando de recomendar a sua integral leitura.

«(…) o sofrimento do povo judeu não é mais importante ou profundo, do que o de qualquer outra pessoa. Desse ponto de vista sou um péssimo judeu porque não acredito que os judeus são um povo eleito.»
«(…) A maneira normal israelita de pensar sobre o muro é: temos de nos proteger deles. A minha visão da altura era (…): sim, senhor, mas também temos de proteger os palestinianos de nós. (…) A única solução que posso conceber, na minha ignorância, é ter um Estado palestiniano democrático, que funcione. A única maneira de ter um diálogo racional é ter dois Estados democráticos. Como vamos criar as fronteiras? Se calhar os judeus vão-me odiar, mas evidentemente todos os colonatos têm de ser desmantelados.»
«(…) muitos dos que vivem nos colonatos reivindicam um direito bíblico à terra. Como se pode ter uma conversa racional com quem reivindica um direito bíblico a um livro, quanto mais a um país?!É outra razão pela qual não vejo solução. É impossível dialogar com fundamentalistas – cristãos, muçulmanos ou judeus.»
«Israel é um ‘fait accompli’. Para melhor ou pior, existe, tem uma história, uma literatura, um cinema, tem tudo. Vamos falar do direito de Israel existir? Se calhar então devíamos falar do direito de Portugal existir. O discurso dos anti-sionistas ou dos árabes que ainda estão a debater o direito de Israel existir não tem pés nem cabeça.»

(no subject)
rosas
innersmile
Pede-se encarecidamente aos colegas do livejournal que não ponham links para canções do eurofestival, porque depois as canções ficam-nos às voltas na cabeça. Ainda há bocadinho, estava a minha chefe a dar-me umas ordens e eu a cantarolar baixinho:
Viva la diva
Viva victoria
Cleopatra