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venere bella
rosas
innersmile
Cheguei à ópera de Haendel, e a esta ópera em particular, através dos contratenores. Do David Daniels, primeiro, e do Andreas Scholl depois. Haendel foi, tanto quanto julgo saber, dos compositores que mais escreveu para os famosos 'castrati' (regra nº 1: nunca chamar 'castrato' a um contratenor: é inexacto e eles detestam). E através das gravações daqueles dois cantores fui tomando contacto com algumas das mais belas árias da ópera Giulio Cesare in Egitto: 'Cara speme, questo cuore', 'Va tácito e nascosto', a lindíssima 'L’angue offeso mai riposa' ou 'Al lampo dell'armi'. Decidi finalmente que o meu primeiro dvd de ópera havia de ser desta ópera de Haendel, em detrimento das óperas de Mozart, as minhas preferidas, que, no entanto, não perderão pela demora. Como não sou expert, comprei o que havia, ou melhor, entre o que havia decidi escolher aquela que tinha um contratenor no papel de Júlio César (a outra versão disponível na Fnac tinha uma mezzo-soprano no principal papel). Uma produção da Ópera da Austrália com Graham Pushee e Yvonne Kenny nos principais papéis, encenação de Francisco Negrin e direcção de orquestra de Richard Hickox. Um delírio! Uma encenação moderna, misturando elementos actuais com simbologia romana e egípcia (César usa armadura de centurião por cima de um fardamento militar actual), com soluções cénicas arrojadas, surpreendentes e com sentido de humor. Ainda só corri os dois cds à procura dos momentos mais excitantes e das minhas árias favoritas, e até agora o melhor momento foi sem dúvida a ária 'Venere Bella' em que a Yvonne Kenny faz de Cleópatra a despir-se em cena e a mergulhar no famoso banho de leite de burra ou de cabra ou lá o que era. Magnífico, a tipa toda nua (enfim, as far as we can see), mergulhada na banheira até ao ponto que os seios se insinuam mas não aparecem, de sorriso matreiro e radioso, a cantar «venere bella, por un instante, deh, mi concedi le grazie tutte del dio d’amor»! Lindo!
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