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the producers + curtas portuguesas
rosas
innersmile
Ontem vi 4-quatro-4 filmes. E pelos vistos só hoje é que é dia do trabalhador! Ok, três dos filmes eram curtas-metragens, mas mesmo assim. Comecemos pelo mais comprido.

The Producers é a versão cinematográfica de um musical da Broadway que era uma adaptação de um filme do Mel Brooks. Não percebo bem porquê, mas a verdade é que não me lembro nada de ter visto o filme original de Brooks, e digo que não percebo porque houve aí uma altura em que eu papei todos os filmes do Mel que apanhei a jeito. A verdade é que a formação do meu imenso e ainda actual gosto pelo cinema de comédia se fez a ver os filmes do Mel Brooks, que eram, nos anos 70 e princípios de 80, uma lufada de ar fresco, de irreverência, de loucura destravada e de incorrecção política ‘avant-la-lettre’!
Uma das razões que foram apontadas pelos críticos norte-americanos para o insucesso desta versão de The Producers é a sua incapacidade para descolar verdadeiramente do espectáculo em palco (uma coisa que, por exemplo, foi totalmente conseguida em Chicago, apesar de fiel ao espírito do musical, era uma obra, do ponto de vista narrativo, totalmente autónoma). Não vi o musical em palco, por isso não posso dizer, mas a verdade é que o filme cheira a palco por todos os lados, aliás, os números do musical ‘Primavera para Hitler’ são sempre mostrados como números de palco, e mesmo os números da própria intriga do filme têm sempre uma concepção muito cénica. Mas, claro, para mim isso não é um defeito, antes pelo contrário, porque o filme consegue apanhar aquele ‘feerismo’ típico do teatro musical made in West End e Broadway.
Por outro lado o filme, como, suponho, o musical, mantém intacto o humor de Mel Brooks, aquela mistura de judaísmo (de que o nazismo é uma mera deriva humorística), crítica de costumes, piadas sexuais (quer na versão bomba sueca quer na versão gay) e muito muito disparate. Tenho no entanto de admitir que nem sempre achei graça às piadas do filme, aliás lembro-me perfeitamente quando comecei a deixar de achar grande graça ao Mel Brooks, foi com o Robin Hood-Men in Tights.
É preciso falar ainda dos actores. Como também acontecia muito com o cinema de Brooks, os actores, a colagem das personagens a determinados actores, faz parte das regras do jogo. Nathan Lane e Mathew Broderick são impagáveis, de uma comicidade e cumplicidade notáveis, e com um enorme sentido do musical. Deve ter sido uma experiência muito ‘babável’ ver o musical em palco com estes dois tipos. Uma Thurman e Will Ferrel estão igualmente muito bem, assim como todo o conjunto de secundários.
Em suma, um filme divertido, muito animado, a não perder por quem gosta de musicais e por quem tem saudades dos filmes de Mel Brooks.

À tarde fui a uma sessão da edição deste ano do festival Caminhos do Cinema Português. Fui sobretudo porque queria muito ver o documentário Ilha de Moçambique, do realizador Fernando Matos Silva. Gostei muito, sobretudo porque me devolveu a Ilha intacta como a (re)conheci há três anos, quando lá estive. Vi ainda 9980 RN, uma curta de ficção de Alexandre Mestre, e Rockumentário, um doc que Sandra Castiço fez sobre os Bunnyranch, e, por extensão, do rock que surge em Coimbra, particularmente do que surge na esteira dos Tédio Boys. Foi sem dúvida o prato forte da sessão. A produção do doc é do António Ferreira, o realizador de Respirar (Debaixo d’Água) e de Esquece Tudo O Que Te Disse. Gostei bastante do filme, sobretudo porque acho que a realizadora conseguiu apanhar, com inusitada subtileza, algumas das contradições de que sofrem as bandas e os músicos e a cena rock em geral: por um lado aquela coisa mais festiva, somos todos gajos porreiros, estamos aqui é para curtir, e por outro o lado sombrio, se se quiser humano, de ídolos com pés de barro, que todos somos, os ídolos do rock’n’roll também. Com efeito, o filme de Sandra Castiço consegue essa coisa fantástica de pretender ser um filme celebratório e acabar por ser bem mais amargo e duro do que parece à primeira vista.
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