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(no subject)
rosas
innersmile
Incrível, já estou completamente no meu habitual mood pré-férias. Quer dizer, quando as férias significam sair de casa, ir em viagem. Fico ao mesmo tempo excitado, como os putos, com vontade de ir depressa (tipo 'quanto é que falta para'), mas ao mesmo tempo ansioso, cheio de inseguranças e de medos. Fico feliz por ir, por ir passear, por ir conhecer sítios novos, por ir experimentar a sensação deliciosa de que tudo é provisório, que não temos nenhum compromisso com o futuro, essa impressão de transitoriedade que as férias sempre proporcionam. Mas também fico triste por sair, parece que deixo a minha vida em compasso de espera ('a sua vida será retomada dentro de momentos, por favor aguarde'). Há uma coisa que sempre me perturba, como é fica a minha casa sem mim, como é que é esse vazio em que se torna a minha casa (a minha vida?) quando eu não estou nela. Depois há aqueles pormenores mais comezinhos, é preciso comprar divisas, é preciso ir à agência levantar os papéis, que mala é que vou levar. Eu tenho uma certa fixação com a ordem, preciso que a minha vida esteja planeada a curto prazo, preciso sempre de saber quais vão ser os meus próximos passos. Nem que seja para trocar tudo, para alterar o plano e seguir de improviso, mas tenho essa necessidade de saber, na minha cabeça, o que é que vou fazer a seguir. E as férias, o corte com a rotina, tem um efeito perturbador para quem é assim tão ritualista: ao mesmo tempo que nos sentimos libertos do peso do quotidiano, essa liberdade faz-nos sentir um pouco mais desamparados.
Enfim, nada que as tequilas e os mezcals e as horchatas e as margaritas e as coronas não ajudem a dissipar.