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rosas
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Saboteur, 1943 (B)
Shadow of a Doubt, 1943 (B+)
Rope, 1948 (A-)
Stage Fright, 1950 (B+)
Strangers on a Train, 1951 (A-)
I Confess, 1953 (A)
Dial M for Murder, 1954 (A)
Rear Window, 1954 (A)
To Catch a Thief, 1955 (A)
The Trouble with Harry, 1955 (B)
The Wrong Man, 1955 (A-)
The Man Who Knew Too Much, 1956 (A)
Vertigo, 1958 (A)
North by Northwest, 1959 (A)
Psycho, 1960 (A)
The Birds, 1963 (B+)
Marnie, 1964 (B)
Torn Courtain, 1966 (B)
Topaz, 1969 (B)
Frenzy, 1972 (A-)
Family Plot, 1976 (B)

São 21 os filmes de Hitchcock que abrilhantam as estantes cá de casa. De Stage Fright em diante, não falta nenhum, da década de 40 ainda faltam alguns. Durante os anos 40 Hithcock realizou 12 filmes, e na década de 50, 11! Usei a classificação da Entertainment Weekly para classificar os filmes, basicamente porque permite distinguir entre as obras-primas absolutas (as que têm A) e aquelas que ficam só ligeiramente abaixo (as que têm A-). Eu não gosto de classificar filmes, não me dá gozo nenhum, não tem piada, mas apeteceu-me classificar estes do Hitchcock mais para orientar a minha própria relação com os filmes (quais aqueles de que mais gosto) e para tentar perceber o percurso do realizador e como é que ele consegue essa coisa fascinante de, durante quase 20 anos, fazer obras-primas atrás de obras-primas.
A década de 50 de Hitchcock é verdadeiramente prodigiosa, e é curioso que ela coincide com a década de 50 do realizador, que, nascido em 1899, era 1 ano mais velho do que o século. Como é possível o tipo fazer no mesmo ano filmes como Dial M for Murder e A Janela Indiscreta?! O único filme feito nessa década que eu acho um pouco frágil é O Terceiro Tiro (The Trouble with Harry), que basicamente consta em esticar uma anedota leve e divertida até se converter num filme. Mas o facto é que mesmo os "maus" filmes de Hitchcock são filmes acima da média, são interessantíssimos objectos cinematográficos.
Na minha opinião, a derradeira obra-prima de Hitchcock é Psycho, que fecha admiravelmente a década dourada. Nunca fui grande fã de Os Pássaros, que acho que é um filme que vive mais da ideia do que da sua concretização. Gosto muito de Frenzy, o seu penúltimo filme, onde acho que a centelha de génio de Hitchcock volta a brilhar, é de novo um filme luxuriante, cheio de gozo, de uma certa perversidade, mas uma perversidade que não é maldosa (embora seja um bocadinho sádica).
É engraçado ver como sendo considerado um mestre de filmes policiais, de crime e mistério, Hitchcock era sobretudo um realizador de conflitos pessoais, de dramas interiores que os protagonistas tinham de viver sozinhos e muitas vezes pagar uma pesada factura pelo facto de não conseguirem exteriorizar esses dramas. A maior parte das vezes a ameaça exterior é apenas o factor que desencadeia a armadilha que o protagonista cria a si próprio. Claro que há sempre um crime, mas esse crime não é muito mais do que o pretexto para colocar as personagens numa espécie de labirinto interior. Por isto é que Hitchcock é considerado o mestre do suspense. Normalmente nós os espectadores partilhamos toda a verdade dos protagonistas, somos as suas únicas testemunhas (normalmente abonatórias), percebemos perfeitamente o que se está a passar, sabemos que se conseguíssemos entrar na acção do filme ajudaríamos o protagonista a livrar-se dos problemas. E assistimos, ansiosos e impotentes, ao processo de queda da personagem, vemo-la cada vez mais enredada e solitária, a lutar de forma quase inútil (‘quase’ porque os filmes têm sempre um final feliz) contra toda a lógica do próprio filme. O suspense é essa técnica de dar uma informação, verdadeira, não o enganando, ao espectador, e depois deixá-lo sentado na borda da cadeira à espera que as suas piores suspeitas se confirmem.