?

Log in

No account? Create an account

exposição e mais livros
rosas
innersmile
O Centro de Artes Visuais apresenta, desde Sábado passado e até finais do mês de Maio, a exposição XX – Visões do Feminino na Colecção dos Encontros de Fotografia. Para além de assinalar os 26 anos dos Encontros, a exposição marca igualmente o encontro sempre feliz com algumas das fotografias e dos fotógrafos que os próprios Encontros nos deram a conhecer. Além disso, um acervo tão rico como o dos Encontros merece, e pede, que seja mostrado ao público de forma regular e através de determinados olhares ou perspectivas, como acontece nesta exposição. Para além do exercício de perceber a exposição, as linhas que a atravessam, os princípios que a organizam, é uma oportunidade para ver expostas algumas obras marcantes, como a célebre ‘Fama Durmiendo’ de Manuel Alvarez-Bravo, e ainda trabalhos de Walker Evans ou Robert Frank.

Alguém me devia mandar prender por habitual prodigalidade: não consigo parar de comprar livros. Ontem à noite fui dar uma volta a pé, passei à porta do centro comercial e claro que acabei na livraria. Comprei uma interessante história da homossexualidade, Born To Be Gay, de William Naphy, das Edições 70, e Frases que Fizeram a História de Portugal, que apresenta por ordem cronológica frases célebres que ajudam a reconstruir, e nalguns casos são mesmo a essência, importantes passagens da nossa história.
Em relação ao livro de Naphy, ainda só li o prólogo (que, a propósito, a editora disponibiliza em formato pdf no seu site) e o 1º capítulo, relativo ao período pré-Sodoma e Gomorra, ou seja antes do aparecimento do judaísmo, a primeira religião monoteísta. Quanto às frases, a minha preferida (e uma das razões porque comprei o livro) é “Fartar, Vilanagem”, mas fiquei um pouco desconsolado com a explicação dada, achei muito sucinta e superficial. Mas em compensação, fiquei a conhecer uma frase deliciosa de Fernão Lopes sobre o Rei D. Pedro I, o da Inês. Não consigo reproduzir de cor a frase, mas diz o Fernão que o rei amava o seu escudeiro acrescentando entre parêntesis a expressão ‘mais do que aqui se deva dizer’. Venenoso, o nosso cronista. E que, pelos vistos, também foi o fundador do jornalismo sensacionalista!



Edit:
1. o foggy_days pôs este comentário, que além de ter a citação correcta, ainda nos conta quem era o referido escudeiro e de como teve uma paixão cortante.
"Mais do que aqui se diz, por ser verdade"
O escudeiro é Afonso Madeira que foi castrado e exilado posteriormente quando o Sua Majestade descobreu o caso amoroso que ele tem mantido com uma donzela do reino.


2. Esqueci-me de dizer no texto sobre a exposição no CAV, que o recurso a fazer esta exposição com base na Colecção dos Encontros, para além da perspectiva de mostrar e explorar a colecção, se deveu também à impossibilidade de o CAV comissariar novos projectos e exposições por falta de disponibilidade financeira. Também o CAV tem sido vítima dos cortes de financiamento para a área cultural perpetrados pela Câmara Municipal de Coimbra, e esta mostra que está em exibição, segundo declarações do director do centro, foi a única alternativa possível à pura e simples suspensão das actividades do CAV!