March 27th, 2006

rosas

(no subject)

No Sábado ao fim da tarde fui ao Gil Vicente ver um espectáculo promovido pela Associação dos Amigos de Goa, Damão e Diu, que incluiu danças e canções pelo Grupo Ekvât da Casa de Goa, e fados de Coimbra por elementos da Associação de Antigos Estudantes de Coimbra em Lisboa. Quanto aos fados, sempre a mesma coisa, quanto à música de Goa, foi uma prestação interessante, sobretudo no que diz respeito às danças. O fascínio com a cultura indiana começa logo, aliás, no espectáculo esplendoroso dos saris, e dado que todas as dançarinas e todas as cantoras do grupo os envergavam, a cor foi realmente uma das notas dominantes no palco.

Houve uma coisa que me chamou a atenção. Entre os apoios referidos no programa do espectáculo, figurava, em conjunto com outras entidades, a Câmara Municipal de Coimbra. Não faço ideia da forma que esse apoio revestiu, mas não deixa de soar um pouco chocante a Câmara Municipal ter apoiado um espectáculo amador, em que o grosso da coluna da assistência era composta por amigos e familiares, e que não enchia, nem de longe, a plateia do TAGV. Isto apenas 8 dias depois do festival Coimbra em Blues, que teve lotações esgotadas (eu que o diga, que fiquei de fora no último dia), e que a Câmara Municipal decidiu não apoiar. Presumo que a diferença entre os apoios solicitados pelos organizadores dos dois eventos seja grande, naturalmente. E não quero, porque acho uma péssima posição de princípio, achar que um dos eventos merece mais do que o outro, sequer que um é ‘melhor’ do que o outro. Falo apenas da dimensão da coisa: um espectáculo em que éramos, bem contados, uns 100 ou 150, e um evento em que foram 3 noites de salas cheias. E para evidenciar o quanto é demagógico o discurso da Câmara Municipal quando diz que não apoia determinado tipo de eventos porque no concelho há não sei quantos grupos folclóricos que precisam do apoio da autarquia. É mentira. Este espectáculo de Sábado há-de ter tido o apoio da Câmara Municipal porque, de certeza, que há alguém que conhece alguém que conhece alguém. E o festival de blues, tal como o TAGV, enquanto estrutura de produção, ou a Escola da Noite, não têm o apoio da Câmara Municipal porque não fazem parte dos amigos, dos ‘nossos’.
E o que choca nem é tanto a descriminação, porque a Câmara tem a legitimidade de ter sido eleita e lá distribui as benesses a quem acha que as merece. O que choca é o discursozinho hipócrita, é a mentalidade coimbrinha, é esta variação académica de arsénio e rendas velhas.