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ontem fui à bola
rosas
innersmile
Ontem voltei a ir ao futebol, e diverti-me imenso. O jogo era o Académica-Sporting, eliminatória da Taça de Portugal. O bilhete para a Central Superior custou 21 euros, enquanto o mesmo lugar no jogo da Liga custou 35! Gostava de perceber porque é que há tanta diferença. Os jogos da Taça serão subsidiados?! Tanto mais que o jogo da Liga era televisionado, e por isso tinha muita publicidade, enquanto neste era quase publicidade tipo antiga rádio local, à Tabacaria do Sr. Ezequiel – Jornais, Valores Selados e Artigos em Papel.
A primeira parte foi mortiça, houve momentos em que foi mesmo um pouco aborrecida, mas a segunda parte foi bastante animada. Claro que parte da animação proveio do facto de o Sporting ter marcado 2 golos, mas também porque, pelo menos durante algum tempo a Académica ter estado muito perto do empate.
Eu fiquei, fruto de um feliz acaso, ao pé de um grupo de adeptos furiosos do Sporting, e por isso parte da animação também proveio dos saltos na bancada, dos insultos ao árbitro, e daquele que neste momento é o meu gesto preferido da linguagem gestual da bancada: quando a nossa equipa falha um passe ou um remate, levanta-se muito depressa o braço (o direito, normalmente) até a mão quase tocar a testa e depois continua-se o movimento por cima e em direcção à parte da trás da cabeça, ao mesmo tempo que se diz 'foda-se', 'caralho', ou, as pessoas mais selectas, 'eia pá' ou 'eish'. 'Eish' é o meu preferido e fartei-me de fazer isso ontem. Menos quando o João Moutinho tocava na bola, porque esse rapaz, mesmo de braço ao peito, como esteve na segunda parte (não era bem 'ao peito', era mais envolto numa ligadura), nunca falhou um passe. Nunca. E não dava assim 'gandas' pontapés na bola, nada, era um toquezinho, muito subtil, mais em jeito do que em força (toda a minha vida aspirei por uma oportunidade para escrever esta expressão), e colocava a bola no sítio certo. Isto chama-se 'visão de jogo', como aprendi ontem com um sujeito que estava sentado à minha frente e que comentava em voz alta (e isto é um eufemismo) as jogadas.
Outro dos rituais que eu achei bastante curioso é o de os adeptos se abraçarem muito quando o Sporting marcou os golos. Tipo aquela parte da missa em que o padre diz uma determinada coisa (que eu agora não me estou a lembrar qual é) e as pessoas se abraçam e beijam. Eu fui à bola com o meu pai, somos ambos sportinguistas, mas, mesmo assim, não nos deu para trocarmos abraços efusivos. Suponho, no entanto, que foi de ser apenas a segunda vez, mais umas idas à bola e também já nos estamos a abraçar.
Espero bem que a Académica não desça de divisão. Tomei-lhe o gosto e assim poderei ir mais vezes à bola ver o Sporting. Aliás corro o risco de um dia destes começar a ir ver outros jogos da Académica só pelo gozo de ir à bola.