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walk the line
rosas
innersmile
O assunto pode ficar já resolvido: por mim, dão o Oscar ao Joaquin Phoenix e não se fala mais no assunto.
Há filmes assim, que nos agarram à primeira sequência, ao primeiro plano, e não nos soltam mais. Foi o que me aconteceu com Walk The Line, a biopic sobre o Johnny Cash – aderi logo às primeiras imagens, quando se adivinha que o que se está a passar é o concerto na prisão de Folsom (o único disco que eu tenho do Cash, já tinha em vinil e agora tenho em cd numa dupla edição, Folsom e San Quentin), e lá fui sempre atrás do filme, feliz e embalado.
Acho que o filme de James Mangold tem duas qualidades irrecusáveis: é de uma grande honestidade, um filme ‘fiel e verdadeiro’ à personagem que retrata e àquilo que move o próprio filme, àquilo que o sustém, ao que ele quer entregar, digamos assim; e é um filme que consegue captar com subtileza e sem artifícios a energia extrema que conduzia Cash, mas que conduzia igualmente esses tempos que iriam transformar a América e o mundo (para o melhor e para o pior), colocando a cultura popular jovem no centro dos acontecimentos, como nunca mais deixou de acontecer desde a década de 50.
Mais do que um filme biográfico sobre a vida de Johnny Cash (como era, por exemplo, Ray em relação a Ray Charles), Walk The Line é a história da relação de amor entre Cash e June Carter, tendo como pano de fundo o temperamento sombrio e muitas vezes auto-destrutivo de Cash. De certa forma a tese do filme, que era aliás a tese de Cash, é que a sua vida foi uma tormenta dolorosa até ao momento em que passou a ser vivida sob o signo de June.
Não quero dizer que o filme seja uma obra-prima, um marco da sétima arte. Provavelmente, até andará um pouco longe disso, não ultrapassando uma certa mediania. Mas é um filme absolutamente fascinante, pelo menos a mim seduziu-me assim ao nível do ‘coup de foudre’. Como já se percebeu, a interpretação do JP contribui muito para essa felicidade, sobretudo porque o actor, inteligentemente, não optou por fazer um boneco à Johnny Cash, um trabalho de mimetização, que corre sempre o risco de resvalar para o retrato grosseiro ou mesmo a caricatura. Pelo contrário, foi um pouco como se JP dissesse: «se eu fosse o Johnny Cash era assim que eu seria». Mas se Phoenix tem uma interpretação magnífica, também excepcional é a June Carter de Reese Witherspoon, que, com menos tempo de antena, e com menos recursos a que deitar mão, consegue criar uma personagem verosímil, e, sobretudo, com uma verdade e uma honestidade (cá está de novo) comoventes.


And now for something completely different. Escrevi este texto sobre o filme ontem à tarde. Não o pus logo on-line porque entretanto me passou uma coisa pela cabeça e eu fiquei na dúvida se a devia pôr aqui ou não. Como sempre, a vida (ou o destino, ou seja lá o que for) encarrega-se de nos dar sinais, meros palpites. Bom. Quando estava a escrever o texto lembrei-me que aí por finais dos anos oitenta comprei um dos primeiros blue movies gays que vi na vida no Soho, em Londres. Era uma cassete sem capa, vendida under the counter numa sex-shop muito manhosa, e aquilo tinha tudo um ar clandestino porque na altura a pornografia ainda era ilegal em Inglaterra. Não, não vou fazer uma análise ao filme (oohhh!), o que conta para aqui é que o filme que me venderam (sim, eu não escolhi, aquilo era mais ou menos ao calhas) era dos anos 70, passava-se num comboio, e tinha banda sonora… do Johnny Cash!
Como disse, ontem decidi não abrilhantar esta entrada com esta história pouco edificante, mas pouco tempo depois de ter escrito o texto, houve alguém que pôs um comentário na entrada anterior a pedir para eu divulgar o link para um site que vende filmes pornográficos. Cá estava o sinal que eu precisava para acrescentar esta nota. É que, como dizia o outro, isto anda tudo ligado. Não ponho o link aqui, mas quem estiver interessado pode ir lá ver, saca o endereço, e faz as suas encomendas (no conforto do lar, pois). Com um bocado de sorte (ou não, claro) sai-lhe um filme com banda sonora do Cash!
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