February 16th, 2006

rosas

orgia

‘Orgia’, texto de Pier Paolo Pasolini, pelos Artistas Unidos, com encenação de Pedro Marques e interpretação de Sylvie Rocha, José Airosa e Sofia Correia. Um dispositivo cénico minimalista e uma interpretação sempre reduzida ao essencial, ao serviço de um texto denso, que pedia para ser lido antes de escutado. Foi a primeira peça de Pasolini que eu vi, mas prolonga aquilo que já conhecemos do autor, no cinema e na literatura: a procura de um sentido radical poético e político que resgate a vida do tédio vazio pequeno-burguês, o sexo como o lugar explosivo das nossas fraquezas e contradições.
Não é um espectáculo divertido, não se sai entretido, mas devia ser obrigatório, pelo menos ‘once in a while’, para nos lembrarmos de que o quotidiano não é a medida do homem, e que só no confronto consigo próprio pode o homem vislumbrar a face de deus.