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rosas
innersmile
Grande expectativa relativamente ao concerto que Brad Mehldau e o seu Trio deram, no Sábado à noite, na Casa da Música. Gosto muito do Brad Mehldau, tenho 8 cds dele (dos 12 que integram a sua discografia a solo ou como leader), é, dos actuais, o pianista que melhor conheço e que ouço mais atentamente. O BM já tem vindo tocar a Portugal, e esta era a primeira vez que eu o ia ver ao vivo. E o concerto tinha tudo para ser memorável, a começar pela Casa, que inspira os músicos que lá tocam, pelo público, que estava rendido desde o início, e até ao facto de o BM estar no pico do seu jazzismo, como provou na gravação ao vivo em piano solo Live in Tokyo, se bem que este concerto se integrasse na digressão de apoio ao mais recente álbum do Trio, Day is Done.
Mas tenho de confessar que o concerto me decepcionou um pouco. Achei-o muito frio, muito cerebral. Nada a dizer da técnica, da estrutura dos arranjos, do entrosamento dos músicos, da complexidade e do desenvolvimento dos temas. Até me pareceu que a versão de She’s Leaving Home, dos Beattles, foi mais conseguida do que a que está no álbum. Não vou ao ponto de achar que o Trio estava em velocidade de cruzeiro, a debitar com competência uma fórmula segura. Isso é sempre muito difícil no jazz, que vive muito do momento. E não me pareceu o caso de cansaço ou falta de entrega, até porque o concerto decorreu num acento muito ‘cool’, que tem tudo a ver com a música do BM. Além disso, o músico foi generoso, e respondeu ao entusiasmo do público com 3 encores (um deles com 2 temas) e uma vinda adicional ao palco.
Apenas me queixo de falta de emoção, de estarmos perante aquilo que parece, mesmo que não o seja, um momento especial, sentirmos que houve ali qualquer coisa de único e irrepetível. É isso que esperamos, que o músico consiga esse milagre de cada um dos espectadores sentir que é para si que o concerto está a ser dado. Talvez isso tenha a ver com o ritmo frenético de concertos quase diários que o BM está a fazer neste tour europeu, que estraga sempre um pouco o risco e a aventura que é fazer um concerto.
Eu sei que a comparação não é muito adequada, porque há jazz e jazz, e que provavelmente mais do que uma injustiça isto vai soar a disparate, mas a verdade é que há mais emoção, mais sentimento, mais envolvência quando o Bernardo Sassetti carrega numa tecla, do que durante as duas horas que durou esta prestação do Brad Mehldau.
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