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(no subject)
rosas
innersmile
IRONIA

Se a noite fosse mais negra
- Quero dizer, mais sombria,
Agora que me encontraste
E que me dás o teu braço
Para falarmos de novo,
No que dissemos, um dia!
Se a noite fosse mais negra
E se as estrelas brilhassem
Com menos intensidade,
Sim, não duvides, eu diria...
- Mas não me fites assim!
Diria que és o meu sonho
E a minha realidade!
Mas esta luz que se entorna
Intimida o meu sentir
E fico, mudo, a sofrer...
- Também a gente nunca sabe
Se a verdade no amor
Se deve calar ou dizer.


- António Botto

[+ Botto]

vitorino
rosas
innersmile
Um concerto feliz, a abrir as hostilidades do ano. O Ateneu de Coimbra comemorou mais um aniversário (o 65º), e desta vez trouxe o Vitorino, que trouxe, como convidado o Sérgio Godinho (o ano passado o Sérgio foi o convidado, num concerto que eu falhei porque adoeci, apesar de ter bilhete!). Acho que nunca tinha visto o Vitorino ao vivo e gostei da atitude dele, da maneira como ele ocupa o palco, daquele personagem quase de banda desenhada que resulta, não de pose, mas de uma certa maneira de estar na vida que ele cultiva. E depois há as canções, lindíssimas, aquelas que a gente sabe e que ele cantou, se não todas, muitas delas. Claro que todas as pessoas têm a ‘sua’ canção do Vitorino, como têm a ‘sua’ canção do Sérgio, e eu tive sorte porque ele cantou a minha canção, que é a Tragédia da Rua das Gáveas (também gosto muito do Bolero do Coronel Sensível, sobretudo do «eu que me comovo por tudo e por nada», uma letra fantástica do António Lobo Antunes). Para além das canções do Vitorino, dois momentos especiais: uma homenagem ao José Afonso, com canções suas, entre elas uma versão muito entusiasmante do clássico A Morte Saiu à Rua, e, claro, a participação do Sérgio Godinho, que veio sobretudo trazer uma óptima versão da Fotos do Fogo.
Especial destaque para os músicos, começando pelo Ricardo Dias que é um pianista fantástico: o modo entusiasmado como ele ataca as canções, quase como se as estivesse a descobrir pela primeira vez, mas ao mesmo tempo tem aquela desenvoltura do jazz, de quem conhece o tema tão bem que nunca precisa de seguir certinho a melodia e pode andar para ali a brincar, um luxo este tipo. Ainda o Tomás Pimentel , nos sopros, o Sérgio Costa, dos Belle Chase e do Quinteto Tati, em piano e flauta, Paulo Jorge, no baixo, Carlos Salomé, na guitarra, e Rui Alves, na bateria.

TRAGÉDIA DA RUA DAS GÁVEAS

De rosa ao peito
Sobe a rua airoso
Com a cruz ao pescoço
Que a Rosinha lhe ofereceu
Contra o enguiço
De voltas mal dadas
Vermelhinha, às tantas
Vai parar ao invejoso…
Bate um fadinho
Na rua dos Mouros
Mas silêncio é ouro
Quando a autoridade aperta

Rua das Gáveas vai
(passo apressado)
Bom dia alegre dá
Pra todo o lado

Rosinha amante
Ai se não te encontro
Desta vez não busco
Os beijos de outra mulher

Sinto os teus passos
A fugir ao canto
Teu coração travo
A tiro de revólver

(no subject)
rosas
innersmile
O sujeito que escreve o blog Opiário tem uma certa fixação em sublimar a sua melancolia tropical, insultando-me na minha condição de português e europeu. A minha ideia é que ele me acha um fleumático sem flama, digamos assim. Ontem reincidiu a simples pretexto de eu me ter horrorizado com o facto de o rapaz gostar de fazer arruaças, ou melhor supermercaças. Maçado com as ofensas, respondi-lhe, um pouco agastado, qualquer coisa do género: o português é tímido, o europeu é discreto, o que eu sou é mesmo ‘anal retentive’. Foi uma resposta impulsiva, dada de cabeça quente, e mal carreguei na tecla do enter entrei em pânico e fui a correr ver o que significa tão inefável expressão. Bem, lancei os dados e saiu logo doble. Vai em inglês porque já basta o que basta, e nem ponho o link por causa das tentações, mas o que saiu foi isto.

«The expression anal retentive derives from psychoanalytic theory. Sigmund Freud theorized that after birth, a person progresses through a series of stages that, in a healthy individual, would reach an adult state of low anxiety, mental stability, the ability to interact with others, the ability to have a sexual relationship, etc. Freud's stages of normal psychosexual development were the oral stage, in which the mouth is the object of gratification; the anal stage, when the anus is the object, and the child is concerned with the retention or expulsion of feces; the phallic stage, when the child shifts its attention to the genitals, but not in an adult, heterosexual way; and the genital stage, when a person seeks gratification in a sexual relationship with another person.
The interruption of any of these stages results in a fixation, which would have various consequences on an adult. A person interrupted at the late stage of the anal development is an anal retentive, and this is thought to result in adult personality or behavioral traits that include orderliness, rigidity, obstinacy, obsession with rules, meticulousness, and ungenerousness. The adjective anal alone denotes this stage, and hence denotes these traits. Despite its origin in psychoanalytic theory, anal is now in broad use, and is sometimes even considered to be a slang term. Example: "I've got to see a picture exactly from the start to the finish, 'cause I'm anal" (Woody Allen, Annie Hall).
The word anal is first found in English in a 1930 psychoanalytic text; anal retentive appears by the late 1950s.»


Assustador! Tenho medo, tenho muito medo.