January 3rd, 2006

rosas

o hino

Agora que há sites na net com apostas sobre o resultado das Eleições Presidenciais, o hino oficial da campanha devia ser aquele velhinho êxito dos UHF: "Agora, Agora, Tu és um cavalo de corrida".
rosas

balanço III - livros

Como sempre, em 2005 comprei mais livros do que aqueles que li. Mas mesmo assim, li alguns:

Portugal
Luís Amorim de Sousa – Londres & Companhia
Luís Amorim de Sousa – Dias Tesos
Fernando Assis Pacheco – Memórias de Um Craque
Francisco José Viegas – Longe de Manaus
Júlio Dinis – As Pupilas do Senhor Reitor
Frederico Lourenço – A Formosa Pintura do Mundo
Eduardo Pitta – Os Dias de Veneza
Luiz Pacheco – Diário Remendado (1971 – 1975)
Chianca de Garcia – Cartas do Brasil
José Cutileiro – A.B. Kotter: Bilhetes de Colares
Maria Filomena Mónica – Bilhete de Identidade

Brasil
Caio Fernando Abreu – Cartas
Adriana Lisboa – Sinfonia em Branco
Mário Quintana – Poemas
Mário Quintana – Sapato Florido
Clarice Lispector – A Hora da Estrela
Lygia Fagundes Telles – 8 Contos de Amor
João Gilberto Noll – Lorde

Moçambique
Alberto de Lacerda – Oferenda I
Jall Sinth Hussein – Poemas do Índico
Pedro Muiambo – A Enfermeira da Bata Negra
João Paulo Borges Coelho – Setentrião
Luís Carlos Patraquim – O Osso Côncavo
Ungulani Ba Ka Khosa – Ualalapi


Jim Grimsley – Conforto e Alegria
Edmund White – Paris, Passeios de um Flaneur
Edmund White – Fanny: A Novel
Alan Hollinghurst – The Line of Beauty
Rich Merrit – Secrets of a Gay Marine Porn Star
Mark Merlis – Man About Town
Louise Welsh – Tamburlaine Deve Morrer
Louise Welsh – Sala de Montagem
Traudl Junge – Até ao Fim
Arthur Phillips – O Egiptólogo
Hervé Guibert – O Meu Criado e Eu
Agatha Christie – Death On The Nile
Konstandino Kavafys – Os Poemas
Tonino Guerra – O Livro das Igrejas Abandonadas
Jim Dwyer e Kevin Flynn – 102 Minutos
Nick Hornby – All The Way Down
Philip Roth – A Conspiração Contra A América

Começando pelo fim, acho que o livro do Philip Roth foi o melhor livro que li este ano. Li-o relativamente depressa, aproveitando uns dias de férias entre o Natal e o Ano Novo, e há muito tempo que já não me acontecia um romance ficar assim comigo, mesmo naqueles períodos do dia em que não o estava a ler. A tal ponto que, durante uns dias, até os meus sonhos eram influenciados pelo livro. Aliás, é curioso que gostando eu muito de cinema, nunca filme nenhum me impressiona ao ponto de sonhar com ele, o que acontece frequentemente quando os livros me marcam.
A Conspiração Contra a América é um romance disfarçado de memória, e conta, na primeira pessoa, a história do jovem Philip e da sua família, judeus residentes no estado de New Jersey, quando, em plena II Guerra Mundial, o presidente Roosevelt dos EUA perde as eleições, em 1940, para um candidato (não refiro quem, para não estragar a surpresa) republicano, que, por causa das suas assumidas simpatias nazi-germânicas, defende a neutralidade norte-americana no conflito. O livro é um exemplar exercício sobre o medo, mais até do que sobre o anti-semitismo e, de modo geral, a descriminação, seja ela racial ou de outro género. E o que é mais extraordinário no livro é que cada passagem, cada frase, quase cada palavra, tem sempre uma dupla dimensão, é sempre, simultaneamente, sobre aquelas personagens individuais cuja história se conta, e sobre todos nós, sobre a humanidade.

Quanto aos restantes livros lidos, é difícil fazer destaques. Seja como for, e na literatura portuguesa é sempre de destacar um novo livro do Frederico Lourenço, para mais tratando-se de contos, género que FL trata de forma original e com grande subtileza e sentido estético. Destaque ainda para o livro de Fernando Assis Pacheco, que reúne crónicas de jornal publicadas no início dos anos 70, e que nos traz de volta a prosa rica e saborosa de FAP; ler este livro é uma actividade de gourmet, um prazer para os sentidos e para a inteligência.

Prossigo leituras de outras paixões. Quanto ao Brasil, tenho de destacar o livro da Adriana Lisboa que é uma jóia absoluta e radiante da literatura em língua portuguesa. Ainda graças ao Saint, li dois livros de Mário Quintana, que entra de rompante para o pódio dos meus autores preferidos. Quanto à literatura moçambicana, destaco Os Poemas do Índico, de Jall Sinth Hussein, que é um dos livros mais belos que eu já li. Foi um livro que, apesar das poucas páginas, me acompanhou ao longo do ano e, tenho a certeza, vai ficar para sempre junto de mim; e o livro de contos do João Paulo Borges Coelho, que nos traz, a cada livro, retratos comoventes e comovidos da terra onde nasci.

Destaque para a publicação da integral d’Os Poemas de Kavafys, traduzida por Joaquim Manuel Magalhães, e que me ajudou a cimentar uma profunda admiração pela poesia do grego de Alexandria. Na ficção, alguns livros de temática gay, entre eles dois de Edmund White, que é um dos meus escritores favoritos, o romance muito aclamado (e premiado) do Alan Hollinghurst e uma revelação, o Mark Merlis. Destaco ainda os dois livros da Louise Welsh, sobretudo o Tamburlaine Deve Morrer, que foi um dos livros que li este ano de que mais gostei, e para o meu primeiro ‘Nick Hornby’, de quem, seguramente, vou ficar freguês.