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balanço II - cinema
rosas
innersmile
Quanto ao balanço do ano de 2005 em filmes, começo por dizer que neste ano que passou houve um grande filme, uma verdadeira obra-prima, que ganha de imediato estatuto de clássico do cinema. Falo de Million Dollar Baby, que foi, na minha opinião, o melhor filme de 2005, e consagra Clint Eastwood como o mais excitante realizador de cinema norte-americano. Porque faz filmes que não cedem um milímetro a uma determinada concepção de género, porque mesmo assim consegue surpreender, e porque os seus filmes sendo objectos de puro entretenimento nunca abdicam de serem histórias profundamente humanas, exemplares e arrebatadoras.

Tendo em consideração a excepcionalidade deste mais recente filme de CE, a lista dos 10 filmes de que mais gostei em 2005 é esta:

- Million Dollar Baby, de Clint Eastwood
- Sideways, de Alexander Payne
- The Life Aquatic, de Wes Anderson
- Charlie and the Chocolate Factory, de Tim Burton
- 2046, de Wong Kar Wai
- Der Untergang / A Queda, de Oliver Hirschbiegel
- Mondovino, de Jonathan Nossiter
- Corpse Bride, de Tim Burton
- Odete, de João Pedro Ferreira
- Finding Neverland, de Marc Forster

Há aqui pelo menos um filme, o 2046, que é de 2004, mas vai para a lista porque só o vi este ano, e um filme assim, tão diferente e radical, não poderia deixar de comparecer a uma listagem dos filmes preferidos.
Mas há mais 10 filmes de que gostei igualmente muito e que, pelo menos alguns deles, poderiam trocar de lugar com os filmes da lista de cima. São eles:

- Kinsey, de Bill Condon
- In My Country, de John Boorman
- O Quinto Império, de Manoel de Oliveira
- Crimen Ferpecto, de Alex de La Iglesia
- Reinas, de Manoel Goméz Pereira
- De Battre Min Coeur S’Est Arrete, de Jacques Audiard
- Alice, de Marco Martins
- She Hate Me, de Spike Lee
- The Constante Gardener, de Fernando Meirelles
- Broken Flowers, de Jim Jarmusch

Deixei de fora filmes de 3 dos meus realizadores preferidos: The Aviator, do Martin Scorsese, Melinda & Melinda, do Woody Allen e War of The Worlds, do Steven Spielberg. Acho relevante ter três filmes portugueses na lista, e ainda mais o facto de ter visto esses três bons filmes, de ter visto pelo menos mais um filme português, e de ter perdido alguns dos filmes portugueses que estrearam este ano. E acho relevante porque espero que isso signifique que o cinema nacional começa a ser uma presença mais ou menos regular nas salas de cinema. Relevante ainda o facto de, pelo menos tanto quanto me consigo lembrar, não haver há muitos anos tanto cinema europeu a passar nas salas. Sobretudo filmes alemães, franceses e os surpreendentes filmes espanhóis. E note-se que deixei de fora das minhas listas o muito badalado Mar Adentro, de Alejandro Amenábar. É notável como a Espanha, em poucos anos, conseguiu assegurar uma produção cinematográfica industrial, sendo certo que, no cinema como noutras coisas, a qualidade deriva da quantidade: é preciso fazer muito, ganhar muita rodagem, para os produtos de qualidade começarem a surgir com mais frequência.

Quanto aos actores, houve quatro casos este ano em que o próprio produto cinematográfico se confundiu com o corpo dos actores que deram rosto às respectivas personagens: Roman Duris, em De Battre Mon Coeur S’Est Arrete, Bruno Ganz em Der Untergang, e dois portugueses: Nuno Lopes, em Alice, e Nuno Gil, em Odete.
Para além destes, o cinema continua a ter o rosto de Johnny Depp, Jamie Foxx, Scarlett Johansson, Júlia Jentsch, Helen Hunt, Javier Bardem, Bill Murray, Jodie Forster, Ralph Fiennes, Kristen Dunst, Susan Sarandon, Anthony Mackie, Guillermo Toledo, Cármen Maura, Marisa Paredes.