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the constant gardener + broken flowers
rosas
innersmile
Hoje fui ao Porto ter com a M. para ver filmes.

O primeiro que vimos foi The Constant Gardener, o Fiel Jardineiro, do brasileiro Fernando Meirelles (o realizador do aclamado ‘Cidade de Deus’), e baseado no romance de John le Carré. Gostei bastante, achei que o filme está muito bem construído, criando o tipo de ambiente que associamos ao universo de le Carré. A essa eficácia também não é alheia a interpretação no ponto certo do Ralph Fiennes. O filme capta ainda muito bem o que é a vida nas grandes urbes africanas, aquele movimento constante, uma dureza, mas ao mesmo tempo uma alegria, que, mesmo em imagem, quase que se pode cheirar.

O outro filme visto foi o brilhante Broken Flowers, do agora muito raro Jim Jarmusch, com o não menos brilhante Bill Murray (mesmo quando tempos a impressão de que BM se limita a fazer de BM!) O filme está feito com uma simplicidade desarmante que serve muito bem a história, e sobretudo o tipo de clima que se pretende criar, assim uma espécie de ‘americana’ construída sobre muita ironia mas também ternura. Jarmusch olha para a outra América, aquela mais de dentro, aquela que erigiu o consumo e o disposable numa forma de cultura, e que preserva toda a inocência, toda a ingenuidade e todo o kitsch. Ou então não é nada disto, mas apenas a história simples de um ladies man a braços com o fantasma de um filho que ele não sabe se teve. Nem nós, de resto, e esse final em aberto é, de certo modo, a caução de que o cinema é pura diversão, é fantasia, é contar a vida pelo seu lado mais risível e comezinho. Grande filme, por isso.

E já que o dia era de cinema, aproveitei e comprei o cd com a banda sonora do Corpse Bride, e dois dvds: Quaresma, o derradeiro filme de José Álvaro Morais, e o musical Hello Dolly, de Gene Kelly e com a Barbra Streisand, o Walter Mathau e o Louis Armstrong.
E cheira-me que antes do ano acabar ainda vai haver mais cinema, que até ao lavar dos cestos ainda há a sessão da meia-noite.
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balanço I
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Relatório e Contas

Dança
- Cinderela, pelo Moscow Classic Ballet, no CAE, em Março;
- Ballet Gulbenkian, com duas coreografias: O Canto do Cisne, de Clara Andermatt e Organic Spirit Organic Beat Organic Cage, de Paulo Ribeiro; no TAGV, em Coimbra, em Abril; poucos meses depois o BG foi extinto pela Fundação, no que foi um dos mais tristes (funestos, mesmo) eventos culturais do ano português;
- Les Partis Pris des Chises, pelo Colectivo Petit Travers, no TAGV, em Setembro.

Teatro
- Três espectáculos da Escola da Noite: As Noivas (em Janeiro), Ao Partir Palavras (Março) e Profundo (Dezembro), sempre na Oficina Municipal do Teatro;
- Alma Grande, pel’O Bando, em Fevereiro, no TAGV;
- Mamma Mia, o musical com canções dos Abba, no Pavilhão Atlântico, em Abril;
- Ainda em Abril, dois espectáculos do chamado teatro comercial, que voltou à itinerância: Esta Noite Choveu Prata, com Nicolau Breyner, no TAGV, e Celadon, com a Ana Bola e a Maria Rueff, no CAE;
- 60 Minutos com Brecht, uma produção da Margarida Mendes Silva, em Setembro, no TAGV.

Exposições
- Uma Extensão do Olhar, colectiva, comissariada por Miguel Amado, no CAV (Janeiro);
- Far Cry, de Paulo Nozolino, no Museu de Serralves (Maio);
- O Nome que no Peito Escrito Tinhas, colectiva, comissariada por Alexandre Melo, no Pavilhão do Centro de Portugal (Julho);
- Meus Quadros, de Fernando Rebelo, na Galeria Minerva (Outubro).

Concertos
- REM, Pavilhão Atlântico, Janeiro;
- Petra, Projecto Jazz, em Pombal, Janeiro;
- Brian Adams, Pavilhão Atlântico, Janeiro;
- Pedro Burmester, CAE, Fevereiro;
- The Gift, TAGV, Fevereiro;
- Cristina Branco, TAGV, Março;
- Old Jerusalém, Museu dos Transportes, Abril;
- The Unplayable Sofá Guitar, Museu dos Transportes, Abril;
- Kiko, Celeiro dos Duques de Aveiro, Pereira do Campo, Abril;
- Filipe Melo Trio, Celeiro dos Duques de Aveiro, Pereira do Campo, Abril;
- Bernardo Sassetti Trio, TAGV, Maio;
- Andreas Scholl, Casa da Música, Maio;
- Antony and The Johnsons, Aula Magna, Maio;
- Lou Grassi’s Avanti Galopi, TAGV, Junho;
- João Paulo, TAGV, Junho;
- Michel Portal+Louis Sclavis Quartet, TAGV, Junho;
- Khaled, Casa da Música, Junho;
- Wim Mertens, Teatro Aveirense, Junho;
- Mathew Herbert, Casa da Música, Julho;
- Arftur Pizarro, Casa da Música, Julho;
- Mariza, CAE, Agosto;
- Rodrigo Leão, CAE, Agosto;
- Camané, CAE, Setembro;
- Fanfare Ciocarlia, TAGV, Setembro;
- Orquestra Nacional da Madeira, com Mário Laginha, Maria João e Bernardo Sassetti, CAE, Outubro;
- Orquestra Nacional da Madeira, com Pedro Burmester, TAGV, Outubro;
- Kimmo Pohjonen, TAGV, Outubro;
- Masataka Takada, TAGV, Outubro;
- Fado Barroco: Ensemble Barrocodo Chiado com Ricardo Rocha e Sónia Alcobaça, TAGV, Outubro;
- António Chainho e Fernando Alvim, com a Tuna Académica da Universidade de Coimbra, TAGV, Novembro;
- June Tabor, Teatro Aveirense, Dezembro;
- Orquestra Nacional do Porto, Casa da Música, Dezembro.

Um excelente ano de concertos, a compensar o pouco que vi nas outras formas artísticas. O concerto do ano teve de ser o de Andreas Scholl, na Casa da Música. Por causa da emoção de assistir ao AS ao vivo, por causa da emoção ainda maior de o ver a cantar ao vivo o largo de Haendel Ombra Mai Fiu, que é das minhas composições preferidas, e ainda por causa da excitação de ser a primeira vez que eu ia à Casa da Música, de que gostei imenso.
Outros concertos absolutamente inesquecíveis este ano foram o do Antony, o do Khaled, o do Mathew Herbert, o do Camané, o do António Chainho com o Fernando Alvim (seria o segundo concerto do ano, sem dúvida) e o da June Tabor.

Apesar de não ter sido muito regular a assistir a outras manifestações artísticas, ainda assim realço o último espectáculo do Ballet Gulbenkian, com uma extraordinária coreografia de Paulo Ribeiro, e a exposição do Paulo Nozolino, Far Cry, como outras experiências culturais que marcaram o ano.

Um dia destes farei os balanços dos livros e dos filmes. Não consigo fazer dos discos que mais ouvi, porque não guardo registo. Ainda assim, e apenas de memória, alguns dos discos de 2006 que mais ouvi foram os dois do Bernardo Sassetti, Ascent e a BSO de Alice, o Another Day on Earth, do Brian Eno, a incursão pela música de Bollywood do Kronos Quartet, com a Asha Bhosle, a descoberta pessoal que foi Ali Farka Touré.