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oliver twist
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O Roman Polanski é um dos mais interessantes realizadores da actualidade: pelos filmes em si, claro, mas também pelo significado das suas opções. É sempre uma tentação fazer uma leitura dessas escolhas, e neste Oliver Twist isso não está ausente. Apesar de à primeira vista esta versão da história de Charles Dickens poder parecer uma daquelas produções clássicas que mais não pretendem do que contar com eficácia uma história já conhecida, para mais tratando-se de um marco da literatura. Mas a questão começa desde logo pelo facto de se tratar de uma versão, havendo aspectos do livro de Dickens que Polanski deixa cair em favor de outros. E, mais uma vez não resistimos à tentação de fazer uma leitura ‘psíquica’ da escolha, não é em vão que Polanski, a seguir a O Pianista, decide fazer um filme sobre um órfão de 10 anos que se vê atirado para o incompreensível, cruel, violento e convencional mundo dos adultos. Por outro lado, Oliver Twist, a personagem, não anda muito afastada do tipo de heróis que estamos habituados a ver nos filmes de Polanski, de (usualmente) homens atravessados por um destino que os rasga, e que procuram a todo o custo emergir ‘do outro lado’ mantendo um mínimo de sanidade e um máximo de decência e dignidade.
Dito isto, e quanto ao filme? Mais uma realização escorreita, em que o realizador procura o tom narrativo adequado ao teor da história que pretende contar. Que Polanski tem mão para as reconstituições históricas é um dado seguro da sua filmografia. Que, além disso, é capaz de filmar o século XIX inglês com um apuro formal muito perto da vertigem sabemos já desde há quase 30 anos, quando fez o magnífico Tess, um dos seus melhores filmes, pelo menos na minha opinião. Talvez fique apenas um pouco decepcionado quem vá à procura de uma certa rebeldia subversiva que é uma das marcas do cinema de Polanski. Mas, como se infere do que vai dito, é só uma questão de procurar com um pouco mais de atenção, de raspar o rigor formal da reconstituição do clássico da literatura, para perceber que sob ela é ainda e sempre a alma em ferida do realizador que aparece no ecrã.

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