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corpse bride
rosas
innersmile
É quase um privilégio poder ver dois filmes de Tim Burton no mesmo ano, com poucos meses de intervalo. Primeiro foi o Charlie and The Chocolate Factory, e agora esta jóia deliciosa que é Corpse Bride.
Começa por TB ter um universo narrativo muito distintivo, cheio de referências e sinais que transformam cada novo filme num reencontro. Depois, Burton domina cada vez mais esse universo, o que lhe permite correr riscos (como foi Charlie) onde outros prefeririam a segurança da fórmula. Outra coisa notável em Burton é como ele, dominando com tanto rigor a construção do filme, consegue sempre parar naquele limite em que a coisa se tornaria demasiado cerebral e fria. Com efeito, os seus filmes, sendo prodigiosos de humor e ironia, são sempre muito líricos, verdadeiramente românticos, as personagens, mesmo as mais bizarras, são sempre muito verosímeis, muito credíveis.
Claro que dizer Burton é dizer Danny Elfman, sobretudo num projecto como este que, por um lado, se veste de musical, e, além disso, e em se tratando de um filme de animação, depende muito da música para a construção da atmosfera adequada e do próprio desenvolvimento da história, que é sempre muito musical.
Que Burton é um mestre de animação (este filme é co-realizado com Mike Johnson) já sabemos há muito, não só do seu passado de animador na Disney, nem apenas pelos seus projectos cinematográficos na animação, mas por toda a construção do seu universo narrativo, que é sempre muito gráfico, muito formal, devedor de uma capacidade extraordinária de desenhar o mundo. Assim sendo, Corpse Bride é uma obra de mestre, mas, claro, e quando se é fã empedernido do cinema de Tim Burton, todos os seus filmes, dos mais convencionais (apesar de tudo) aos mais bizarros, são obras de mestre. É que o cinema de Burton, como todo o cinema dos maiores, é atravessado por enorme prazer, o prazer de ver cinema, o gozo da imagem, de contar uma história através das imagens, de construir uma linguagem que seja específica, uma forma de contar histórias que não se confunda com outros registos narrativos.

E como hoje é o dia ‘before christmas’ de tão fortes ressonâncias burtonianas, esta entrada leva foto do filme, para desejar a todos os amiguinhos um Bom Natal.


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