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(no subject)
rosas
innersmile
Hoje é dia de solstício de Inverno. O que, neste hemisfério onde as pessoas se debruçam, significa duas coisas: que é a noite mais longa do ano, ou seja, o dia com menos horas de exposição solar, e que a estação do Inverno começou. Duas boas notícias. É que se o Inverno começa hoje, começa também hoje a contagem decrescente para o seu termo. Por outro lado , a partir de hoje os dias começam a crescer, começamos a reparar que 'há oito dias, a esta hora ainda era de noite'. Entretanto, passa o Natal e temos um ano novinho para estragar. Depois vem o Carnaval, e estamos em Março.
O solstício traz a promessa do equinócio. A primavera. O calor. O sol.

E por falar em sol, a banda sonora destes dias tem sido o mais recente disco de Kate Bush, Aerial, que me emprestaram, mas de que gostei tanto que possivelmente vou comprar. Trata-se de um disco duplo, em que cada uma das partes traz propostas diferentes: no primeiro disco, a Sea of Honey, há propostas mais convencionais, digamos assim, pelo menos em formato, pois trata-se de 7 canções, incluindo King of The Mountain, que tem passado como primeiro single. O segundo disco tem um carácter mais conceptual, e descreve um dia, não no sentido 'beattleano' de 'um dia na vida de...', mas no sentido de um dia solar, o período de rotação do planeta em redor do sol.
O que mais me surpreendeu e agradou neste trabalho da KB foi a simplicidade do conceito musical, não há pompa, é daquela música em que conseguimos ouvir distintamente os vários instrumentos, em que todo o trabalho de composição e arranjos, apesar de rico e complexo, não tem pinga de excesso. Há mesmo uma certa 'naiveté', ou pelo menos uma pureza, uma candura, que serve muito bem o conceito do disco, a mensagem que ele quer entregar. Sim, porque esse é outro aspecto interessante do álbum, o facto de as canções terem, como se dizia antigamente, conteúdo, terem um sentido, não serem um mero aglomerar de notas e palavras. Há uma intenção neste trabalho, e o resultado final mede-se pela forma como realiza a ideia que o animou. Há muito tempo que eu não ouvia um disco assim, pelo menos na área em que a KB trabalha, o pop/rock, um disco ao mesmo tempo sério, pensado, um disco que se sente que foi 'feito', no sentido artesanal do termo, foi construído, mas simultaneamente um disco fresco, despretensioso, de uma simplicidade desarmante e muito, muito sedutora.
Ouve-se este trabalho da Kate Bush e sente-se que é ao mesmo tempo uma coisa que nos é familiar, que somos capazes de reconhecer, mas que tem apesar disso o sabor fresco das coisas novas. Isso!, precisamente: como a primeira luz solar da manhã que nos banha o rosto.
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