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(no subject)
rosas
innersmile
Alguém, a coberto de uma destas noites geladas, regou com gasolina e chegou fogo a um urso enorme feito de esferovite e relva sintética. O urso estava no parque verde do Mondego, e não servia para nada, a não ser, e já não era nada pouco, para nos espantarmos de o ver ali tão grande e inusitado. Também servia para os miúdos abrirem a boca, o que não admira, porque era um urso bem apetrechado de qualidades boquiabridoras.
Até ao momento, e que se saiba, o atentado não foi reivindicado por nenhuma força política ou religiosa, pelo que começa a ser legítimo concluir que a iniciativa pirómana teve por exclusiva a motivação destruidora.
Vêm aí os vândalos, que é outra forma de dizer que os bárbaros estão dentro da cidade. A minha formação moral, em geral, e jurídica, em particular, impedem-me de defender o princípio da justiça retributiva, também conhecido por ‘olho por olho, dente por dente’. Mas que os canalhas que chegaram fogo ao urso mereciam umas bofetadas, lá isso mereciam. Tipo, organizava-se uma fila e todos tínhamos direito a ir lá e espetar duas galhetas em cada um dos energúmenos.
Ficava o urso vingado.