December 11th, 2005

rosas

un unfinished life + onp

É difícil não gostar de Un Unfinished Life: uma história edificante acerca de personagens bem intencionados mas marcados pelas durezas da vida. O problema é que o filme aspira a uma intensidade que nunca alcança, sobretudo porque é sempre muito convencional. É pouco provável conseguir atingir o voo quando se tem tanto medo de largar o chão seguro daquilo que funciona em termos de fórmula melodramática. Talvez também contribua um pouco para a falta de fôlego do filme as interpretações igualmente convencionais de dois enormíssimos actores: Robert Redford e Morgan Freeman. O primeiro porque nunca consegue aquela profundidade de olhar que tem, por exemplo, o Clint Eastwood; o segundo porque começa a cansar a falta de esforço com que Morgan Freeman faz de Morgan Freeman. Neste departamento das interpretações a surpresa acaba por vir da Jennifer Lopez, que consegue um admirável registo minimalista para uma personagem que seria fácil cair no excesso.

Na Casa da Música, mais um concerto notável, a comprovar que as coisas não planeadas, resolvidas no ‘spur of the moment’ têm um sabor especial. Desta vez foi a notabilíssima Orquestra Nacional do Porto, dirigida pelo australiano Alexander Briger. No programa: Grieg, com a Suite N.º 1 de Peer Gynt, que é uma das minhas peças preferidas; Ibéria de Claude Debussy; as Gymnopedies N.º 1 e N.º 3 de Erik Satie, que eu só conhecia a N.º 3; e a Sinfonia N.º 3 de Jean Sibelius. Lá está, não sou expert de música clássica, nem possuo os instrumentos para analisar a performance, mas adorei o concerto, gostei da orquestra muito cheia, dos arranjos simples mas tirando partido da extensão dos naipes. Ainda não tinha visto uma orquestra sinfónica na Casa da Música, e gostei da experiência, até parece que o auditório é maior, que o som irrompe do ar à nossa frente, e depois aquela luz muito branca, a transformar o concerto quase numa experiência cinemática.