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a castro
rosas
innersmile
Só me lembro de ter visto uma única vez a actriz Isabel de Castro em palco, a fazer A Voz Humana, de Jean Cocteau, há muitíssimos anos, mas dessa experiência ficou uma marca indelével na minha memória. Vi-a mais algumas, poucas, vezes no cinema e na televisão. Mas a sensação que tinha era que a Actriz era de uma outra dimensão, qualquer coisa que nos ultrapassava, a nós meros mortais quotidianos. Por isso tê-la visto em palco, ter visto o seu rosto admirável, um mapa de sentimentos e emoções, no grande ecrã, constitui simultaneamente um privilégio mas sobretudo a noção forte de que se viveu um momento extraordinário. Como se ela fosse um extraterrestre. Não, melhor: Isabel de Castro era a personificação perfeita dos deuses da antiga Grécia, esses estranhos seres que eram tão espantosamente parecidos connosco mas que na verdade viviam num plano superior, que tinham essa capacidade milagrosa de conviver com os mortais humanos, mas que verdadeiramente pertenciam a uma outra e inacessível esfera. Por isso arrepiou-me ler, no destaque que o jornal Público hoje dedicou à Actriz, o depoimento de Ricardo Pais quando refere que «Era divina. Foi um privilégio, quase uma dor anunciada, tê-la dirigido na Castro (de quem era descendente!). De facto, há muito que não nos pertencia.»