November 12th, 2005

rosas

flightplan

Duas razões para ir ver Fightplan: a promessa de um clima 'hitchcockiano' e, claro, a Jodie Foster. Quanto a esta, e apesar de não nos trazer nada que não tivessemos visto antes, é sempre excitante ver como Foster tem aquela interpretação em que a personagem, toda ela, parece estar ali à pele da actriz, como se a pessoa do actor fosse uma tela tensa onde se fosse marcando a personagem a pinceladas fortes. Há uma tensão no seu trabalho, uma alma, que torna cada filme seu uma viagem irresistível.
Quanto à outra razão, é de dizer que também aí o filme consegue bons momentos, gerindo com eficácia uma típica situação do Mestre Alfred: durante parte do filme a incerteza que se instala acerca da existência de Julia, a filha da personagem de Foster, a bordo do avião é realmente de recorte hitchcockiano. Infelizmente o filme não se aguenta à bronca e a forma como a situação de resolve, ou melhor se explica é um bocado básica. Só uma grande actriz como Foster consegue manter o registo certo que nos devolve integralmente a personagem e a sua verdade; os seus dois parceiros de intriga, o 'air marshall' Carson e o Comandante do avião, nunca conseguem ser assim tão eficazes e, sobretudo o primeiro, é co-responsável pela falta de convicção com que o filme termina. E é pena o final, enfim, toda a resolução do 'whodunnit', porque toda a sequência central do filme, quando a situação do desaparecimento de Julia a bordo é montada, é um momento de muito bom cinema de emoção e suspensa, como se dizia antigamente.