November 4th, 2005

rosas

proximizade

Proximizade

Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.





Pessoas que precisam, invisíveis. E pessoas que têm muito para dar, quando não desperdiçam. Tempo, motivação, consciência. E dinheiro, também.

Entre este binómio, uma via de comunicação. A blogosfera, internet no seu melhor quando o que se escreve e o que se lê tendem a conjugar-se no verbo aproximar.

Dois mundos nos antípodas, um vítima dos excessos e outro à míngua das suas migalhas. Gente com fome, crianças, que sobrevivem apenas para ganharem forças para fugir à miséria. Rumo ao lado de cá, que os recusa.

A caridade já não basta e é necessária intervenção. Amizade em estado puro, reunida por gente que bloga em torno de um objectivo comum: fomentar a generosidade como uma urgência e canalizá-la para as melhores mãos (as mais necessitadas).

Proximidade e mão amiga. Proximizade, feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que sabe e ao que se vê. E ao que se deixa por sentir.

Nós sentimos assim. E acreditamos numa sociedade que quer sentir da mesma forma e intervir sem demora.

Aqui, já está a acontecer.
rosas

(no subject)

Tudo o que guardo de ti é esquecimento. Sim, a palavra, letra a letra, ao correr das sílabas. Essas coisas a que não conseguimos dar forma ou volume, nem conseguimos prender nas mãos.
Sabes aquelas pessoas, as mais simples, que quando se despedem desejam “boa continuação”. Mas boa continuação de quê? Depois percebemos. Boa continuação dessa coisa que te salva do desespero. Boa continuação desse ar que te renova os músculos e as células e o cérebro. Boa continuação do impulso que te segura aos dias. Boa continuação da mansa e doce angústia da espera.
O tempo, meticuloso, vai tecendo ponto a ponto todos os momentos que nos afastam um do outro. Mas nem ele consegue impedir que, entrando numa loja, e por entre a fancaria do dia, eu segure um objecto, lhe reconheça a familiaridade, lhe veja o preço: um euro. E de súbito é como se regressasses. É como se fosse a tua vida toda que eu seguro ali nas mãos. A tua vida, a um euro. Eu aliso-a, à tua vida. Passo-lhe os dedos ao de leve pelo relevo, sentindo ponto a ponto cada curva do caminho.
Largo o objecto na prateleira e saio da loja. Este frio, esta humidade de Outono, dão-me outra paz. Uma paz maior.