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rosas
innersmile
“Secrets of a Gay Marine Porn Star”. Claro que, com um título destes, comprei logo o livro.
Não sei se feliz ou infelizmente, as quase quinhentas páginas do livro não correspondem exactamente a eventuais expectativas criadas pelo título. Seja como for, trata-se das memórias de Rich Merritt, um marine dos EUA que em 1998, apareceu na capa da The New York Times Magazine a denunciar as difíceis condições em que viviam os gays e as lésbicas integrados nas forças armadas norte-americanas no âmbito da famosa política de Clinton “don’t ask, don’t tell, don’t pursue”. Poucos meses depois, já ele tinha saído dos Marines, a revista The Advocate, uma das mais célebres e sérias revistas de gay affairs, fez um artigo, com capa, em que fazia o outing de RM: o marine tinha participado em filmes pornográficos na altura em que ainda estava nas forças armadas.
Gostei do livro. Porque é fácil de ler, e porque gosto sempre de conhecer vidas outras que têm algum ponto de contacto comigo (e, não, nunca andei na tropa nem nunca fui estrela de cinema). Se bem que o livro diz mais sobre uma determinada América, moldada pelo excesso fundamentalista e por um hedonismo excessivo. E até, no caso do artigo da The Advocate, por um certo excesso do politicamente correcto. De qualquer forma, é interessante acompanhar o percurso de Merritt, que, pelo menos durante certas fases, é um bom exemplo do que é um determinado ‘gay lifestyle’: as festas, as drogas, a Sida. Mas sobretudo porque nos devolve uma coisa que por cá ainda é uma bizarria: a possibilidade de um tipo que é gay conseguir, apesar de todas as dificuldades, integrar-se numa comunidade e criar uma rede de afectos e amizades que lhe permitem viver a sua condição homossexual.
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