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o que diz lygia
rosas
innersmile
Na edição de hoje (ontem) do Mil Folhas, uma entrevista com Lygia Fagundes Telles, a propósito da vinda da escritora ao Porto receber o Prémio Camões. Recordo que na quinta-feira Nelida Piñon foi a Oviedo receber o Prémio Principe das Astúrias 2005 para a literatura. Muita atenção, portanto, às grandes ficionistas brasileiras: o mundo parece finalmente reconhecer-se delas.
Transcrevo aqui um pedacinho da entrevista de Lygia:

«P. - Apesar de tudo isto, define-se a si mesma como uma brasileira tranquila. O que é que a faz diferente das mulheres dos seus livros?

R. - Nenhuma moda, nenhuma vulgaridade em relação à moda me atrai. Eu sou tranquila nesse ponto. Está na moda andar com um pé para a frente e outro para trás, eu continuo andando com os meus pés para a frente, como aprendi a andar. Tenho horror a modismos. Horror! Mas as pobres mulheres põem o "piercing" na língua. Prefiro aceitar a dúvida, que é muito mais digna do que esses modismos.

P. - Essa recusa da superficialidade...

R. - Vulgaridade! Superficialidade chama-se vulgaridade. Essa vontade de mostrar é uma moda.

P. - Mas essa recusa da superficialidade é parte do segredo para evitar as angústias?

R. - Serve para evitar as bobagens da espécie humana, pelo menos. O ser humano faz a sua escolha, não quero isso, quero aquilo. E isso é tão bonito no ser humano. Eu odeio Bush, não gosto nem de ler nos jornais. Aquela imbecilidade é, na verdade, uma escolha que não é sequer muito heróica. Os heróis também são frágeis. E loucos. Há muitos loucos nos meus livros, não?»


Incrível! Três respostas, três simples respostas, e em cada uma delas um cristal, que digo, um diamante de sabedoria e argúcia. Temos realmente muito a aprender com estas mulheres brasileiras do tamanho do século, que, de acordo com a reportagem, dizem, sempre sofisticadas e com humorada bonomia, dizem estas coisas enquanto bebem chá e fumam cigarros atrás de cigarros.
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