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orquestra clássica da madeira com mj, ml e bs
rosas
innersmile
Foi o concerto inaugural do Festival de Música de Coimbra, mas eu só assisti à repetição, ontem, no CAE da Figueira: a Orquestra Clássica da Madeira, dirigida por Rui Massena, com Maria João, Mário Laginha e Bernardo Sassetti.
Eu fiquei logo conquistado no tema inicial de apresentação da orquestra, com a interpretação da abertura do musical Chicago, num arranjo humorado e leve, mas sempre rigoroso em relação ao original de John Kander. Foi divertido e sempre matei saudades, estava mesmo a precisar de rever o Chicago... outra vez.
A primeira parte do concerto foi com o ML e o BS a tocarem, com a orquestra naturalmente, dois temas de cada um deles. Horn Please, do Laginha, é um tema belíssimo de inspiração Jarret, mas tenho de confessar que estou numa fase totalmente ‘sassetiana’ (a propósito, parece que vai haver novo disco do Trio, em breve) e adoro aquelas melodias muito simples e tranquilas que o BS usa para construir o tema das suas composições.
A segunda parte foi com o ML e a Maria João e foi, como se impunha, mais luminosa e alegre, com a MJ a contaminar a própria orquestra com o seu canto simultaneamente solto e levezinho como um passarinho, mas poderoso e esplanado como o voo de uma águia. Como sempre, adorei a interpretação comovida do Tom Traubert's Blues e a já clássica versão da dupla de Beatriz. Aliás, para mim, Beatriz já é mais uma canção de MJ e ML do que de Chico Buarque e Edu Lobo, não tanto por efeito de apropriação mas sobretudo por causa da forma pessoal e luminosa como a MJ habita a canção.
Nesta segunda parte do concerto, uma das coisas curiosas foi reparar na atenção com que os músicos da orquestra seguiam a MJ e a sua forma de estar em palco. Não sei se foi impressão minha (wishfull thinking) mas pareceu-me notar em alguns dos músicos um genuíno gozo nesta partilha do mesmo palco entre o rigor de uma orquestra clássica e a exuberância que o ML e sobretudo a MJ sempre trazem nas suas apresentações. Note-se, todavia, que se me pareceu haver esse tal prazer da parte dos músicos da orquestra, já quanto aos músicos de jazz, os três sem excepção, esse gozo era muito evidente.
Já em encores, a festa continuou, com um arriscado momento de improvisação que se encaminhou para a repetição de um dos temas do BS e depois um sublime momento de jazz a dois pianos, com S e ML a mostrarem porque é que. para além de serem dois brilhantes pianistas de jazz, são sobretudo e basicamente, dois músicos excepcionais.

Foi realmente um fim de semana em grande, com dois concertos memoráveis e um filme delicioso. Quanto aos concertos, espero que a série continue, sobretudo com o festival de música de Coimbra e outras coisas que se vão perfilando no horizonte.
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(no subject)
rosas
innersmile
a manhã eclipsou-se
foi um ar que se lhe deu
a Lua veio e passou-se
eclipsado fui eu

notei a luz mais sombria
sem nuvem escura que visse
mas julguei que era do dia
a passar como uma elipse

senti-me tão aluado
quando foi do diz que disse
o único a estar calado
por não ter visto o eclipse

mas nem suspiro que ouvisse
nem gemidos e nem ais
se perdi este eclipse
no próximo século há mais...
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