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fanfare ciocarlia
rosas
innersmile
Bem, eu nunca tinha ouvido falar nos tipos e foi puro palpite ir ao Gil Vicente esta noite, ouvir a Fanfare Ciocarlia, uma banda de metais de música cigana, da Roménia. A primeira surpresa foi quando cheguei à bilheteira e o concerto estava quase esgotado, já só arranjei lugar no balcão, nas últimas filas. A segunda, foi quando estava a tomar café, no bar, e vi parar o autocarro e sairem de lá os tipos da Fanfarra, uns madurões barrigudos, com ar de quem já anda nisto desde desde.
Mal o concerto começou, sala à pinha, aquilo pegou fogo, o pessoal levantou-se a dançar e foram duas horas assim. Uma música endiabrada, com um ritmo alucinante, num epicentro (sim, a ideia de terramoto aplica-se) de influências folk, jazz e até um toquezinho pimba kitsch que só ajuda à festa e à desbunda. Os dois solistas (sax e trompete), um deles o director musical, agarravam nas melodias e levavam-nas, em puro improviso, até aos limites, mas sempre dentro daquele ritmo frenético, marcado por quatro poderosas tubas. Como o público estava completamente desenfreado, os doze gloriosos malukos dos metais elevavam sempre mais a temperatura. Assim que me lembre, houve talvez dois temas mais lentos, onde o ritmo acalmou um bocadinho, mas atenção, acalmou em relação ao gás habitual.
Entretanto, o concerto acabou, os tipos voltaram ao palco, tocaram mais dois ou três temas, e depois desceram a escada do palco para a sala, subiram o corredor e vieram tocar cá para fora, para as escadas do Gil Vicente, a estrada cortada com o pessoal que estava lá dentro e mais os outros todos que se juntaram. Mais dez ou quinze minutos de festa e tá tudo a atravessar a rua porque o Fanfarra decidiu ir continuar a festa no meio da Praça da República! Francamente, já tenho assistido a muitos concertos, a muitos que acabam em total festa (estou a lembrar-me do Khaled, que descompôs completamente aquele ar blazé da Casa da Música), mas nunca por nunca tinha assistido a uma coisa assim.
Entretanto fui ao bar do Gil Vicente tomar um refresco, e quando saí ainda estavam os músicos espalhados pelos banquinhos em redor da Praça, em grupinhos à conversa.
Uma coisa espantosa.
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