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blEGOsfera
rosas
innersmile
Um dos meus blogs preferidos fechou. Aliás, já há uns meses que não punha novas entradas e há poucas semanas anunciou o seu fim. Temos pena quando um blog fecha, quero dizer, um daqueles que nos fazia companhia e nos dava prazer ler e acompanhar, mas a verdade é que uma das qualidades da blogosfera é os blogs serem tão efémeros (menos este innersmile, que dura, dura, dura... mas isso é porque o gajo não tem vida própria para além do livejournal, e falta-lhe imaginação para fazer coisas diferentes).
A principal razão avançada para o encerramento do tal blog tem a ver com o escasso número de visitas. E foi isto que me provocou esta reflexão. Diz o seu autor que, e isto apesar de não ter novas entradas desde há três ou quatro meses, o número de visitas diárias do blog era muito baixo, menos de meia centena, quando já tinha chegado aos duzentos e cinquenta! Quer dizer, eu não sei quantos visitantes tenho aqui porque o contador está na página com a ‘user info’, mas suponho que devam ser muito poucos, até porque o innersmile está meio escondido; no outro blog que eu mantenho, que está muito linkado, quando tem vinte visitas é uma festa!
Não sei se estou a ser injusto, porque não conheço o autor do tal blog, e até nem o refiro porque não se trata aqui de criticar ou ferir susceptibilidades, mas fico com a ideia de que a maior parte dos blogs são basicamente exercícios de ego. Só assim se justifica um tipo decidir fechar um blog porque tem poucos leitores. Eu quando comecei a fazer o innersmile, e ainda há por aí pessoal que sabe isso, não tinha leitores ou então tinha para aí um ou dois. Hoje suponho que haja mais pessoal a lê-lo, sobretudo os friends do livejournal e duas ou três pessoas com quem fui estabelecendo um certo relacionamento a partir dos nossos mútuos blogs.
Mas basicamente faço-o apenas pelo gozo. O gozo de escrever, de ter um veículo, um canal. Ou seja, também o gozo de saber que possivelmente estou a ser lido. Mas também o gozo de não controlar isso minimamente, de não saber se determinada entrada vai ser lida por uma pessoa (ou nenhuma, enfim) ou por dez ou por vinte. Até o gozo de haver entradas que eu acho que estão muito boas, que o pessoal vai comentar, e ninguém ligar absolutamente nenhuma, ao passo que há outras que eu pus quase sem reflectir, sem trabalho, e serem muito comentadas (e até o gozo de fazer entradas compridas que eu sei que muito poucas pessoas vão ter a pachorra de ler até ao fim). Tudo isso faz parte das ‘regras do jogo’.
Para além de muitas outras coisas, um blog é também, de certa forma, um exercício de humildade, porque nos ensina que numa relação comunicacional, como é um blog, ou um livro, ou seja o que for, o destinatário tem sempre a inalienável dose de liberdade de poder nem sequer ler; e que o autor, por muito que se convença que domina de tal forma o meio que é capaz de controlar esse destinatário, corre sempre o risco de, mesmo sem o saber, estar pura e simplesmente a falar para o boneco. Desistir desse risco, parece-me, é não perceber a razão última porque se escreve.