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um rio
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Um Rio, o mais recente filme de José Carlos Oliveira, suscitava à partida três bons motivos de interesse: ser adaptado de um livro de Mia Couto, ‘Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, ter sido adaptado pelo Luís Carlos Patraquim e por António Cabrita, e, naturalmente, ser passado em Moçambique, ou mais propriamente entre Maputo e a Catembe. Infelizmente, o resultado situa-se muito abaixo das expectativas, sobretudo porque falta ao filme densidade narrativa e dramática, e porque as personagens nunca ganham um recorte nítido e uma verdade. O desafio era extremamente difícil, porque a obra de Mia Couto é eminentemente literária; de certa forma, as histórias de Mia só fazem sentido em literatura porque é o gozo da linguagem literária, da palavra escrita, que alimenta o universo do escritor. E no filme fica muito débil a tentativa de criar a duplicidade de planos, realistas e fantásticos, ou factuais e literários, que distingue os livros de Mia Couto.
Resta então o prazer de, apesar de tudo, o olhar de José Carlos Oliveira não ser desprovido de sentido cinematográfico, e que se nota, por exemplo, nas diversas maneiras de filmar as paisagens do filme: aquela maneira densa de filmar o Porto, ou as imagens planas e vibráteis de Maputo, ou ainda a limpidez da luz da Catembe.

Só uma nota para dizer que ontem, na sessão das 9,30 do multiplex do centro comercial Dolce Vita, aconteceu-me uma coisa que já há muito tempo não acontecia: eu ser o único espectador na sala.
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