September 21st, 2005

rosas

another brimful of asha

O Sound + Vision é, na minha opinião, um dos melhores blogs portugueses na área do cinema e da música. Conheço muito mal a prosa do Nuno Galopim, mas sou fã do João Lopes desde há muitos anos; são eles os autores do blog. Que tem a vantagem adicional de ter aquela coisa que nos permite ler as entradas na página de amigos do livejournal.

Pois bem, estava hoje na minha leitura matinal quando li no S+V a notícia da edição de You’ve Stolen My Heart, do Kronos Quartet com a Asha Bhosle, dedicado, como não podia deixar de ser, à música de Bollywood, particularmente de um dos mais prolixos compositores de músicas para filmes, o RD Burman.
Fiquei entusiasmadíssimo. Já aqui tenho falado algumas vezes da Asha (‘a brimful of Asha’, como na canção dos Cornershop) de quem tenho pelo menos um cd (e participações noutros, creio). Também já falei, há poucas semanas, do RD Borman, a propósito da música de um dos filmes indianos que comprei recentemente, o Sofrimento de Amor, e nomeadamente de uma das canções desse filme, que é uma das canções que trago comigo desde a infância, desde esse tempo longínquo, em Moçambique, em que nos cinemas só passavam filmes de Bollywood.
Claro que tenho de comprar o disco, e o mais depressa possível. Se não encontrar cá à venda, lá terei de o encomendar da Amazon, onde já está à venda, e onde já fui conferir as canções (infelizmente não tem a Tera Mujhse, mas em compensação tem a Dum Maro Dum). Mas a verdadeira razão porque me apeteceu fazer esta entrada é mais comezinha. Os tipos do Kronos Quartet são uma das formações mais prestigiadas internacionalmente, que garantem uma caução de qualidade aos compositores que decidem trabalhar. Ora dá-me um gozo extraordinário que uns tipos assim tão importantes decidam pegar num género musical que é quase totalmente desclassificado nos cânones musicais do Ocidente. Pode ser que assim aí os nossos intelectuais se decidam a experimentar o gozo que é dançar ao som dos ritmos fáceis e hipnóticos desta música muito evocativa, cheia do odor das especiarias e das cores explosivas dos saris.
rosas

(no subject)

A terra treme em S. Miguel, numa crise sísmica um pouco mais violenta do que o costume. Há sítios, como em Vila Franca do Campo, onde as pessoas vêm para a rua, e passam a noite nas praças e nos jardins, todos juntos. Por razões de segurança, dizem, mas eu acho que é mais para se sentirem seguras. Sempre se espairece o medo, ali ao relento, entre amigos e parentes.
Na televisão, como há aquele hábito de encher o telejornal com reportagens sobre não notícias, lá estão os jornalistas a entrevistar as pessoas que dormiram na rua. Mas desta vez vale a pena. Os açoreanos respondem com bonomia e com uma ponta de humor. E com muita naturalidade, sem drama ou alarde. E, sobretudo, com aquele sotaque cerrado que transforma as frases em pautas de música. Pura música. Lindo, o mais lindo de todos (ou será o alentejano?), este sotaque micaelense.