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innersmile
Li em duas noites Tamburlaine Deve Morrer, de Louise Welsh. que conta, em breves 100 páginas, e escrito na primeira pessoa do singular, os últimos dias de vida do poeta e dramaturgo inglês Christopher Marlowe. Nunca li nada de Marlowe, a sua única peça que conheço é Edward II, através da adaptação cinematográfica (bastante livre, ao que sei) do Derek Jarman.
O livro explora, através de uma linguagem forte, quente e desabrida, a polémica que rodeia a morte, por assassinato, de Marlowe, alegadamente por causa da responsabilidade pelo pagamento da conta da taberna, mas, de acordo com os especialistas, muito provavelmente por causa das intrigas de poder, todas elas muito violentas e sanguíneas, que dominaram durante o reinado de Elizabeth I. Seja como for, na altura da sua morte, Marlowe estava a ser julgado pelos crimes de ateísmo, blasfémia e homossexualidade, vítima de um jogo de denúncias e traições por parte de alguns dos seus amigos e patronos (e companheiros de leito). Para além das personagens reais, contemporâneas de Marlowe, e que jogaram um papel na sua vida e na sua morte, o livro põe ainda em cena o misterioso Tamburlaine, uma das personagens mais conhecidas criadas pelo dramaturgo, atrás da qual se esconde o verdadeiro assassino.
O livro retrata muito bem o clima violento da época, a mistura de moralismo religioso e devassidão dissoluta, e, sobretudo, o ambiente de caos, perigo e precariedade que se vivia nas ruas de Londres.