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Tera Mujhse
rosas
innersmile
Receio que esta entrada vá chocar alguns dos meus amigos, mas a verdade, tenho de o confessar, é que reincidi! Aqui há umas semanas, durante as minhas férias, comprei um dvd de um filme indiano. Um dos filmes que eu me lembrava de ter visto lá nos idos da década de setenta, quando, no Moçambique pós-independência, desapareceram das salas os filmes de produção capitalista, e tudo o que havia para ver eram os dramas xaroposos made in Bollywood e os festivais de pancadaria made in Hong Kong.
A experiência foi razoavelmente traumática. O filme visto, Bobby, de Raj Kapoor, com Rishi Kapoor e a bela Dimple Kapadia, consegue ser pior do que a ideia que a minha memória guardava. Mau, ao ponto de o seu visionamento se tornar uma experiência divertida. Ao que eu achei mais graça foi ao modo como o filme usa a linguagem cinematográfica, a falta de subtileza dos planos, dos travellings, das sequências; um close up é um close up, quase uma vertigem, de forma a que não sobrem dúvidas sobre o dramatismo da cena. O resultado é quase assim uma espécie de ‘cinema – modo de emprego’ muito básico, muito primário, que, enfim, sempre pode ter uma função utilitária, qual seja a de demonstrar a alguém muito desprovido quais são alguns dos recursos próprios da narrativa cinematográfica.
Claro que mesmo o que é risível, e até ridículo, tem uma razão de ser. E eu suponho que esta forma quase tosca de fazer cinema (tosca, note-se, no recurso narrativo melodramático, não nos meios ou mesmo nos outros recursos narrativos, como por exemplo os famosos momentos musicais), tem a ver com o facto de a indústria indiana deste cinema importar os modelos do cinema popular americano e de ter como que de os reduzir, a fim de se tornarem apelativos ao seu público específico.

Mas como comecei por dizer, e apesar de tudo, reincidi. Mas tenho de admitir uma coisa: uma das razões, a principal, porque comprei o filme Bobby, era porque estava convencido de que esse filme continha, na banda sonora, uma determinada canção, e fiquei desiludido quando percebi que não. A falar com um dos meus primos com quem partilhei a aventura juvenil do cinema de Bollywood, ele disse-me que, afinal, essa canção era de outro filme, e que também esse estava à venda na Fnac! Lá mo compraram, e eu passei o fim-de-semana (atenção ao exagero) a ver ‘Aa Gale Lag Jaa’, que em português mereceu o excitante título ‘Sofrimento de Amor’, uma verdadeira superprodução, de 1973, realizada por Manmohan Desai, e com Shashi Kapoor (uma das mais absolutas vedetas do cinema made in Bollywood, que entrou em algumas produções ocidentais, nomeadamente num filme de James Ivory e noutro de Ismail Merchant) e Sharmila Tagore (cuja personagem se chama Preeti, jogo de palavras tão típico destes filmes).

Agora o assunto desta entrada é mesmo ‘Tera Mujhse Hai Pehle Ka Naata Koi’, uma canção de R D Burman, com letra de A Bakshi, e que no filme aparece duas vezes, a primeira cantada pelo galã numa trepidante cena romântica passada num cenário verdadeiramente alpino (ou talvez Himalaio...), e a segunda, já perto do final, numa festa de sociedade, por um menino aleijadinho, que é um dos pólos dramáticos do filme. O que é verdadeiramente espantoso é eu, depois de trinta anos sem nunca, jamais, ter ouvido a canção, lembrar-me dela quase como se a tivesse ouvido ontem e todos os dias. Estava aqui toda, na minha cabeça, até pedaços significativos da letra, quer dizer, da sua fonética pois não faço a mais pálida (não é piada) ideia do que é que significam as palavras. Não me lembrava nada das cenas do filme, mas apenas da canção, da melodia e da letra. Caramba, até me emocionei quando pus o dvd a tocar no computador e apanhei a canção: ali, de repente, uma vinheta da minha infância que me deve ter entusiasmado tanto ao ponto de a minha memória a ter guardado quase intacta durante tanto tempo.
E como o innersmile cumpre sempre o seu destino de serviço público, aqui fica, para os fãs e adeptos mais furiosos, a letra do ‘Tera Mujhse’:

Tera Mujhse Hai Pehle Ka Naata Koi
Yunhi Nahin Dil Lubhata Koi
Jaane Tu Ya Jaane Na
Maane Tu Ya Maane Na
Tera Mujhse Hai Pehle Ka Naata Koi
Yunhi Nahin Dil Lubhata Koi

Dhuan Dhuan Tha Wo Samaa
Yahan Wahan Jaane Kahan
Tu Aur Main Kahin Miley They Pehle
Dekha Tujhe To Yeh Dil Ne Kaha
Jaane Tu Ya Jaane Na
Maane Tu Ya Maane Na

Tu Bhi Rahi Mere Liye
Main Bhi Raha Tere Liye
Pehle Bhi Main Tujhe Baahon Mein Leke
Jhooma Kiya Aur Jhooma Kiya
Jaane Tu Ya Jaane Na
Maane Tu Ya Maane Na

Dekho Abhi Khona Nahin
Kabhi Judaa Hona Nahin
Ab Ke Yunhi Miley Rahenge Dono
Vaada Raha Yeh Iss Shaam Ka
Jaane Tu Ya Jaane Na
Maane Tu Ya Maane Na

Tera Mujhse Hai Pehle Ka Naata Koi
Yunhi Nahin Dil Lubhata Koi
Jaane Tu Ya Jaane Na
Maane Tu Ya Maane Na