?

Log in

No account? Create an account

(no subject)
rosas
innersmile
Fui hoje pela primeira vez à feira das velharias, na Praça do Comércio, e o que o facto tem de extraordinário é precisamente o facto de só hoje lá ter ido, apesar de a feira se realizar todos os últimos Domingos do mês. Mas fiquei freguês. Com vontade de comprar todas aquelas bugigangas que parecem saídas directamente das lembranças da minha infância. O problema é que sou verdadeiramente incapaz de distinguir entre uma antiguidade, uma velharia e um traste, e nem sempre os preços são a melhor indicação. Precisava de um daqueles tipos que aparecem nos programas da BBC dedicados a antiguidades e que aconselham as velhinhas e os adolescentes com ar imbecil sobre o que devem comprar e o respectivo valor; fica por saber em qual dos grupos me hei-de incluir.

Para inaugurar as velharias, comprei… um livro! E não tão ‘velho’ como isso (nem tão barato, já agora, mas deixei-me encadear pelo ar sexy do tipo que mo vendeu). Oferendas I, uma colectânea de poemas de Alberto Lacerda. É o meu primeiro livro do AL, apesar do seu nome já me ser familiar há muito, de já conhecer bastantes poemas seus, em colectâneas e antologias de poesia moçambicana. Aliás, alguns poemas já apareceram no À Sombra dos Palmares.
Sei muito pouco acerca do AL, só aquilo que aparece nas curtas resenhas biográficas: natural da Ilha de Moçambique, saiu muito cedo da antiga colónia (exílio? Exílio político? Pois, nem isso sei bem), passou por Lisboa, por Londres, pelo Brasil e pelos Estados Unidos. Mas o que sei mais do que isso, é que o seu nome, e os seus poemas, muitas vezes se atravessam no caminho, quando ando atrás da obra e da vida de muitos poetas, sobretudo quando os eixos fundamentais passam por Moçambique e por Londres.
Fiquei contente por ter encontrado o livro, sobretudo porque se trata de uma edição, da INCM, já antiga, de 1984, que já deve estar esgotada. E porque assim, com um livro dele cá em casa, de alguma forma me sinto mais próximo de Alberto Lacerda. E dos seus poemas, como este SIM:

Canto porque a poesia
quis falar uma vez mais.
Canto porque a alegria
é uma das horas desiguais.
Canto porque a multidão
existe apenas na voz
que se ouve na solidão.
Canto porque as palavras
passaram cegas à espera
da luz da minha canção.


Ontem fui ao CAE da Figueira da Foz ouvir o Rodrigo Leão, num concerto integrado (ainda) na digressão do último álbum, Cinema. A música do RL é muito bonita, e ele conseguiu construir um universo musical muito coerente e distinto, mas ao mesmo inscrevê-lo num território musical bem marcado, o da chamada world music. Pena que, de alguma forma, e ao vivo, os arranjos pequem por serem sempre muito à volta dos mesmos temas, porque isso torna muitas vezes as canções quase indistintas (sobretudo quando se conhece muito mal o trabalho em disco, como é o meu caso) umas das outras. De qualquer forma, é a segunda ou terceira vez que vejo o RL ao vivo (sem contar com os Madredeus, obviamente), e é sempre uma experiência musical muito bonita e interessante.

edit:
Já esta noite, no Jardim Botânico, mais uma sessão, a última, de Transnatura Videolab; os videos mostrados esta noite foram: O Jardim Botânico Revisitado, de Alexandre Ramirez (2004); Vandelli, de Susana Paiva (2003); O Jardineiro que Não Tinha Projectos, de Maria Lusitano Santos (2003); Telephatic Agriculture, de António Olaio (2004); e Corisco, de António Júlio Duarte (2000).