August 23rd, 2005

rosas

(no subject)

O Saint pôs no opiario um link para a e-revista Paralelos, que publica um inédito de Caio Fernando Abreu. Que comoção. Por saber que há um texto de Caio que nos chega directamente de um quotidiano vivido há mais de trinta anos (e vale a pena ler o texto da jornalista Jussara Silva, destinatária e guardiã do inédito de Caio, que nos desvenda esse quotidiano). Mas também, e sobretudo, porque sempre descobrimos em Caio as palavras que nomeiam os sentidos insuspeitos, palavras que iluminam o que até aí sabíamos sem conhecer. Se não, vejamos:

«Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda.»