August 22nd, 2005

rosas

(no subject)

zézinho e a tartaruga pandora

A Susana, do dentrodeti_oh, fez-me este desenho. Caraças, é a primeira vez que me sinto uma personagem de banda desenhada (e ainda por cima faz-me lembrar o Little Nemo) and it feels soooo good.
Muito obrigado, Susana.
rosas

(no subject)

Fiquei bem disposto quando abri o computador e vi o desenho que a Susana fez a propósito do Zézinho e da Tartaruga Pandora. Foi uma surpresa muito feliz.

No entanto, hoje é um dia triste: toda a noite o fogo rodeou a cidade, e chegou mesmo a morder alguns desses lugares quotidianos que, na nossa insensata redoma urbana, nem nos passa pela cabeça poderem ser assim postos em risco.
Ontem, quando saí da casa dos meus pais depois do jantar, cuja sala é totalmente voltada a nascente, já as encostas que bordejam o Mondego, e que se estendem até Penacova e à Serra da Lousã, ardiam de tal forma que se viam as chamas e as labaredas explodindo no ar. Um inferno.
Depois, madrugada fora, as coisas pioraram. Houve cenas de pânico, mesmo dentro da cidade. De manhã, a cidade era um espesso nevoeiro de fumo, de visibilidade reduzida e dificilmente respirável. As ruas, desertas, os passeios, as varandas, os jardins, tudo cinzas e fagulhas e restos de galhos e de folhas. Uma desolação.
Há para aí uns dez anos, Coimbra viveu outra noite destas, mas talvez porque o tempo tudo cure, não me pareceu tão grandioso e dantesco como o fogo desta noite.
Mesmo sabendo nós que estamos a salvo, a visão de um incêndio destas proporções é sempre angustiante. Aliás, são sempre assustadores os encontros com os nossos limites e as nossas impotências. Mesmo quando, como parece ser mais uma vez o caso, essa angústia passa muito por uma certa indignação, pela incúria, pela irresponsabilidade, e até pelo crime.
Mesmo quando estamos a salvo, e podemos ver, de distância segura, o espectáculo infernal do incêndio, a verdade é que o fogo nos queima por dentro.

À hora a que ponho esta entrada no innersmile, já se vê o azul de novo, no céu da minha janela. Apesar da canícula, da seca, e dos incêndios que continuam, raramente ver o céu azul me soube tão bem.

edit: agora, perto de 16 horas, o céu volta a encher-se de fumo. Pelo que consigo perceber, parece ser na mesma zona de ontem.