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mo mowlan
rosas
innersmile
Há poucos dias foi Robin Cook, hoje foi a Mo Mowlan que morreu. Dois dos nomes mais carismáticos que ajudaram a construir a fama e o sucesso do governo New Labour, de Tony Blair, após a emocionante vitória eleitoral de 1997.
Para sempre o nome de Marjorie 'Mo' Mowlan vai estar ligado às conversações de paz que liderou, quando foi Secretária (ou seja, Ministra) para a Irlanda do Norte, no primeiro gabinete de Blair, e que culminaram com os famosos Acordos de Sexta-feira Santa. Há poucos dias atrás, os jornais noticiaram o abandono da luta armada por parte do IRA, mais de sete anos depois desse acordo inicial, o que prova bem a dificuldade e a complexidade do processo de paz na Irlanda do Norte, e dá ainda mais relevo ao importantíssimo papel fundador dos acordos de 1998.
Mas Mo Mowlan não faz apenas parte da História, também a pequena história regista os seus gestos e os seus esforços, desde a polémica visita aos prisioneiros do IRA da prisão de Maze (com os quais, insistiu ela, foi apenas falar: não negociar, não fazer acordos, 'just talk'), até ao episódio de, durante um momento particularmente tenso e de impasse numa reunião, ter tirado a peruca num gesto de desespero, na verdade para quebrar o ambiente. Na realidade, com esse gesto simbólico, assumiu ainda outra dimensão da sua extraordinária personalidade: durante todo o processo, Mo Mowlan fazia tratamento contra um tumor cerebral, que lhe provocou o aumento de peso e a queda de cabelo que, durante algum tempo, serviu aos habitualmente cruéis tablóides britânicos para gozar com a sua figura.
Foram essas duas coragens, a política e a pessoal, que lhe granjearam o respeito dos ingleses e dos irlandeses. Mas foi a sua 'straight-fowardness', o humor, a proximidade em relação às pessoas, a facilidade em falar com as 'everyday people', as pints bebidas no pub, a falta de pose, a simpatia, tudo isso, que a tornaram acarinhada e querida pelo público, mesmo quando em 2001, cansada pela doença (e também por algum backstabbing, dizem as más línguas, já que se estava a tornar mais popular do que o primeiro-ministro), se retirou da política.
Slainte!, Mo.

nothing to do today but smile
rosas
innersmile
Ontem aconteceu uma coisa engraçada: comecei a ver o dvd de Garden State, o filme escrito, realizado e protagonizado pelo Zach Braff, e que eu não tinha visto em cinema; pouco depois do filme começar, numa das cenas de Andrew 'Large' a seguir ao funeral da mãe, bateu-me que o filme me fazia lembrar as canções de Simon & Garfunkel – não era só a banda sonora com muitas guitarras dedilhadas, mas o próprio ambiente do filme, o tom ao mesmo tempo frio e cerebral, mas também emocional, a mistura de drama, humor e ironia, tudo isso remetia para o universo das canções de Paul Simon. Pois bem, já perto do final, na cena da pedreira depois de Andrew, Sam e Mark saírem da casa do barco, ouve-se mesmo uma das minhas canções preferidas de Simon & Garfunkel, e uma das que eu considero mais ilustrativas desse universo especial, precisamente a ‘The Only Living Boy in New York’.
De resto, gostei bastante do filme, que é uma história bem contada, ou seja contada com graça e garra, sobre um tipo que tem uma ferida emocional, e essa ferida o torna frio e distante do mundo, e de como, a propósito da morte da mãe, volta de novo a sentir: a sentir a vida e a sentir-se a si próprio.

Claro, estas noites de Agosto não dão para fazer mais nada a não ser ver dvd’s, e eu aproveito para ir vendo alguns dos filmes que falhei nas salas. Na véspera, tinha trazido o Super Size Me, o filme que o Morgan Spurlock fez documentando a experiência a que se submeteu de apenas comer no McDonald’s durante trinta dias. Achei o filme divertido e bem feito, mas não gostei muito de uma certa agenda política que achei um pouco sobrecarregada.

Apesar de com certeza já ter posto a letra da canção aqui no innersmile, vale sempre a pena recordar (e cantarolar) essa canção extraordinária que é The Only Living Boy in New York, do Paul Simon:

Tom, get your plane right on time.
I know your part’ll go fine.
Fly down to Mexico.
Da-n-da-da-n-da-n-da-da and here I am,
The only living boy in New York.

I get the news I need on the weather report.
I can gather all the news I need on the weather report.
Hey, I’ve got nothing to do today but smile.
Da-n-da-da-n-da-da-n-da-da here I am
The only living boy in New York

Half of the time we’re gone but we don’t know where,
And we don’t know where.

Tom, get your plane right on time.
I know you’ve been eager to fly now.
Hey let your honesty shine, shine, shine
Da-n-da-da-n-da-da-n-da-da
Like it shines on me
The only living boy in New York,
The only living boy in New York.
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